domingo, fevereiro 19, 2006

"I have always depended upon the kindness of strangers"


Da vida como viagem. Como se de uma viagem de comboio se tratasse, que bom seria termos de antemão o bilhete com a indicação das paragens. Assim, poderíamos evitar algumas saídas e transbordos mais atribulados, transgredir quiçá e sair noutras estações, percorrendo caminhos distintos que não figuravam no itinerário inicial. “O segredo será mesmo a alma do negócio?” Ao longo da vida, somos bombardeados com estas máximas definitivas que têm a pretensão de concentrar em si toda a verdade do mundo. Da verdade, só conhecemos metade ou nem isso sequer. Resquícios de uma verdade que forjamos, que queremos e cremos que seja a nossa bússola, o nosso norte. Numa viagem despojada de certezas, plena de trilhos insondáveis. Melhor será então deixar o comboio seguir o seu rumo indecifrável e esperarmos pelas surpresas que este louco maquinista nos reserva. Este tempo, de tão cinzento, infiltra-se nos poros numa melancolia irremediável. E esta chuva eterna que não cessa...

2 comentários:

JL disse...

Lindíssimo. Aqui se prova como é possível escrever poesia em prosa. Gostei. E faz-nos pensar.

o mangas disse...

Primeira vez que visito este blog e prometo novas visitas.
Muito harmonioso e com excelente escrita.

Já agora apesar do itinerário ser desconhecido e imprevisto, não deixo de querer ser o maquinista da minha carruagem.

Desta forma quando descarrilar saberei porquê e, com a ajuda de alguém, conseguirei retomar o meu percurso, sabendo que, daí para a frente, será mais difícil descarrilar da mesma forma.

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