segunda-feira, março 27, 2006

Hino ao Teatro Regional da Serra do Montemuro














Hoje que se assinala o Dia Mundial do Teatro, não poderia deixar de escrever umas breves linhas de homenagem ao bom teatro que se faz no interior do país e que luta heroicamente por fazer sentir a sua voz, por sobreviver, qual David contra Golias, num país em que apenas os grandes centros urbanos beneficiam de subsídios generosos.
Fui ver a peça "A Taberna" pela Companhia do Teatro Regional da Serra do Montemuro, leavada a cena - gratuitamente, saliente-se! - no Auditório do Instituto Português da Juventude de Viseu.
Num espaço de encontro e de confraternização no seio de um universo rural, um homem visado nas lides do mundo e do amor tenta ensinar a um pupilo renitente "as artes da sedução". O alvo das investidas amorosas era uma "menina da cidade" que - imagine-se! - se tinha rendido aos mui contemporâneos apelos dos "piercings". A fase de aprendizagem é verdadeiramente hilariante, sempre pontuada pelo poder da Poesia, sendo os poetas os "únicos que conseguiram ler o coração das mulheres". Tarefa hercúlea ensinar tais devaneios de sensibilidade a um modesto rapaz que do poder das palavras apenas conhecia o"Manual do Tractor"...
A Companhia do Teatro Regional da Serra do Montemuro tematiza, de forma recorrente, a clássica dualidade rural/urbano, contruindo peças arrojadas, densas e insufladas de poesia. Os seus actores são exímios profissionais, os cenários impecavelmente elaborados em que cada adereço tem uma razão de ser, os sons fazem ecoar o mundo rural que, nos tempos que correm, quase parecem exóticos!
Há uma inabalável energia criativa a pulsar que percorre os tecidos subterrâneos do interior do país e que se torna visível nas produções de companhias teatrais como as do Teatro Regional da Serra do Montemuro (Castro Daire), do Trigo Limpo ACERT (Tondela); do Teatro das Beiras (Covilhã) ou de organizações como a Pé de Xumbo que promove o mítico Festival Andanças em São Pedro do Sul.
Se os políticos deste Portugal dos pequeninos largassem de vez a cegueira do betão e começassem a ver que é através da Cultura que se cimenta a excelência de um país e de um povo, talvez saíssemos de vez deste fosso de mediocridade. E quiçá todas as companhias de teatro que primam por fazer bom teatro no interior do país pudessem ter mais meios para voar ainda mais alto!...
Uma salva de palmas para estes heróis da Arte em Portugal!

domingo, março 26, 2006

Egalité? Liberté? Fraternité?

França está novamente no fio da navalha. Várias vozes anunciam uma reedição do Maio de 68, com a contestação juvenil a inundar as cidades, ao mesmo tempo que a reprovável violência que algumas franjas extremistas utilizam como arma de arremesso, perdendo a priori a razão e ensombrando uma luta perfeitamente válida.
Apesar deste elemento lamentável da violência, importa reflectir sobre o futuro das gerações jovens nos tempos que correm.
Os jovens em França foram para a rua protestar contra a forte possibilidade de, num contexto de primeiro emprego, mais concretamente nos dois primeiros anos, serem mandados, sem justa causa, para a rua.
O polémico CPE - Contrato do Primeiro Emprego - está no centro de toda a controvérsia.
É incontestável que as gerações actuais dispõem de toda uma parafernália de meios tecnológicos e de uma noção de conforto material que não era um dado adquirido para as gerações mais antigas. Mas também não é menos verdade que os jovens, sobretudo com qualificações superiores, se debatem com uma precariedade profissional assustadora. A anunciada falência do sistema de Segurança Social não é motivo de particular esperança no futuro.
Em Portugal, a situação de exécitos de licenciados que se vêem forçados a aceitar empregos precários, em que estão claramente subaproveitados, a par de um desemprego galopante, atingiu dimensões tremendas que deveriam gerar uma postura mais activa por parte dos mais jovens. Onde estão as grandes bandeiras? Os grandes ideais? Essa semente da revolução e da contestação (pacífica saliente-se)?
Em França, anuncia-se a maior manifestação de sempre para dia 28, estendendo-se a cerca de 160 cidades, unindo em uníssono as vozes de sindicalistas e de jovens que exigem que o seu futuro seja perspectivado com mais respeito por parte das entidades governativas.
Dossier Especial CPE no Le Monde

domingo, março 19, 2006

Chez moi

Ainda vou voltar àquela casa um dia.
(Por vezes, uma só frase dá-nos a mão, a medo, e a partir daí, percorremos um intrincado labirinto que nos leva a lugares inesperadamente familiares.)
Subir num ápice as escadas alcatifadas e encontrar a mesma mobília que entretanto mudou de lugar, farta da inevitável monotonia do tempo. Continuo a explorar esses compartimentos que evocam tantas e tantas recordações e sento-me num dos sofás, provavelmente até adormeço, exausta desta incursão sem aviso.
Acordo e sou tomada pela mesma vontade de descobrir. A expedição prossegue. O corredor, os móveis de sempre, o cheiro que se entranha nos corpos.
(Cada casa tem o seu próprio cheiro, estendendo-se às pessoas que a habitam, como se esta quisesse prolongar-se além-muros.)
Paro na sala do piano e, confronto-o, apesar de ter a mesma destreza de pianista que um homem da Pré-História em frente a um portátil, ouço de novo os trechos que tantas e tantas vezes serviram de banda sonora à vida. Tardes de estudo intermináveis com lanches deliciosamente confeccionados pelas maternas mãos, sempre abnegadas.
Os meus dedos ganham vida própria, saindo de mim e atravessando as texturas das colchas, das camilhas, das cortinas, mediadoras entre o universo da casa e a vida lá fora.
(Imagino sempre que a vida pára, não existe, pura e simplesmente, aonde não estou. À medida que vou calcorreando as ruas, as pessoas e a cidade ganham vida e movimento e a ordem natural das coisas é restabelecida.)
Ouço vozes ao longe, cada vez mais presentes, e acabo por encontrar os personagens que protagonizaram o enredo da minha vida. Conversamos longamente e tudo adquire os contornos de sempre. A ordem natural das coisas mantém-se, nada se alterou. Continuo a ser aquela menina que vivia naquela casa imponente, que corria desenfreadamente no jardim, que se magoava em quedas sucessivas de bicicleta, como se acalentasse o sonho de vencer o Tour de France! E estão todos à minha espera para jantar.
― Já vou! É só mais um bocadinho!
Porque é que o maldito realizador deste filme não avisou que nem sempre há um happy end?
Mas a casa habita-me ainda. E sempre a mesma vontade de lá voltar, apesar de estar agora reduzida a solidão e ao vazio, consumida pelo pó do tempo.
Durante este filme trágico-cómico, as viagens sucedem-se e continuaremos a abrir portas de memórias que insistem em convidar-nos a entrar.

sexta-feira, março 17, 2006

Da língua portuguesa

A língua portuguesa é profícua em expressões, palavras, e coloquialismos verdadeiramente peculiares. Como hoje a chuva não pára de cair, numa atmosfera de asfixiante cinzentismo, resolvi fazer uma lista das expressões mais hilariantes:
- “Sem dizer água vai”
- “Vai na volta”
- “Sem ai nem ui”
- “Estás aqui, estás ali”
- “Nem sabes de que terra és!”
- “Desamparar a loja”
- “Bico-de-obra”
- “Trinta e um”
- “Não ser tido nem achado”
- “Do arco-da-velha”
- “Boca de trapos”
- “Cheia de nove horas”
- “Ele há coisas do Diabo!”
- “Com um olho no burro e outro no cigano”
- “Remoer o passado”
- "Estar com os azeites"
- “Às tantas”
- “De meia-noite”
- “Andar de candeias às avessas”
- “Resvés, Campo de Ourique” (não será certamente utilizado no Porto!)
- “Por uma unha negra”
- “Prego a fundo”
- “Virar o bico ao prego”
- “Azucrinar”
- “Assapar”
- “Descoser-se”
- “Escafeder-se” (creio que influência do Brasil)
- “Andar à nora”
- “Abocanhar”
- “Meter-se numa alhada”
-“Ouvir um zunzum”
- “Azamboada”
- “Naperon”
- “Bibelô”
- “Pivete”
- “Penduricalho”
- “Fedelho”
- “Pechiché” (muito usado na região do Porto; é uma espécie de toucador)
- “Pechincha”
- “Coqueluche”
- “Esbugalhado”
- “Trinca-espinhas”
- “Pau de virar tripa”
- “Caixa de óculos”

Mais hilariante seria traduzi-las para outras línguas ou tentar encontrar paralelismos válidos, pelo menos. Tarefa hercúlea!...

terça-feira, março 14, 2006

Lisboa & Dubróvnik, cidades gémeas





























Há algo de indecifrável na luz de Lisboa que tem quase pretensões de exclusividade.
Quando fui à Croácia, em 2004, visitei Dubróvnik, mais conhecida como "a pérola do Adriático", um merecido qualificativo, pois esta cidade derrama beleza. Foram 10 horas de viagem em ferry (uma espécie de Titanic croata) que foram compensadas com a paisagem deslumbrante que se avista do cimo da muralha de Dubróvnik. Faltavam 10 implacáveis minutos para a muralha fechar e eu e as minhas amigas desatámos a correr escada acima com precisão de atletas olímpicas.
Correria desenfreada, alcança-se o cimo e depois vê-se a luz. Essa luz também indecifrável que me transportou, em segundos, para Lisboa. Apenas o silêncio é compatível com tamanha beleza.
Quando se olha para baixo, vê-se uma Alfama croata, mas organizada, clara, depurada (este asseio é, na Croácia, a regra e não a excepção). Já nem sequer os traços do famoso cerco se notavam, confinando-se a livros que se vendiam nos quiosques das suas ruas medievais.
Sentia falta, porém, dos cheiros e das cores do Tejo, do caos das pessoas que se atropelam, das vozes sonoras que percorrem os bairros ancestrais, do rádio em altos berros a transmitir um jogo do Benfica, das roupas penduradas a dançarem num bailado frenético, da multiplicidade de cores com que se tinge Lisboa.
Não sei de onde vem essa luz, mas talvez o fascínio resida no absoluto desconhecimento das causas. Sentem-se, porém, os efeitos: esta luz acompanha-nos para todo o lado…

sábado, março 11, 2006

"O mundo foi feito por trás"

Na sexta-feira, fui assistir à apresentação do Terceiro Livro de Crónicas de Lobo Antunes que contou com a marcante presença do escritor. No início da sessão, uma leitora empenhada de voz pujante leu uma carta de amor, extraída do livro Cartas de Guerra, publicado pelas filhas do autor, e uma crónica. O tom era demasiado esfuziante, de júbilo quase, o que contrastava abruptamente com as realidades veiculadas nos textos lidos. A guerra é um lugar impossível, distante, envolto em revoltante estranheza em que a única redenção advém do poder do Amor, o derradeiro sinal de esperança nesse mundo feito de morte e tingido de sangue. Após esta breve introdução, foi a vez do autor, que desde logo reiterou a ligação de afecto que o une à Beira Alta, mais propriamente a Nelas, onde os avós tinham uma quinta. A magia das palavras soltou-se quando Lobo Antunes leu a crónica que aborda a morte do pai e que, segundo o autor, era "uma homenagem à Beira Alta." Agora sim, o tom era apropriado, porque pesado, duro, circunspecto. Porque a morte não se compadece com outra leitura, com outro tom senão esse. Foi uma leitura muito comovente com uma força colossal que advinha das profundezas das memórias. As intervenções do público foram escassas. A primeira pergunta recaiu, como não podia deixar de ser, no porquê de escrever, ao que LA respondeu com humor: "Porque não sei fazer outra coisa. Se fosse o Fred Astaire dançava, mas não sei."O seu tom pesado acaba por ludibriar pois, ao longo de todo o seu discurso, há uma fina ironia (desencanto também) e um sentido de humor muito peculiar, quase britânico. O autor manifestou uma clara aversão aos intelectuais, chegando mesmo a afirmar que "para ser intelectual, faltava a barba, os óculos e o mau hálito." Um dos membros da plateia fez uma intervenção inflamada, recheada das provincianas "Vossas Excelências", etc. e tal, sem colocar qualquer questão, apenas aproveitando a oportunidade para dizer palavras como "súmula" ou "indizível" e gozar de algum "estrelato"! A interioridade de Portugal no seu melhor! Adiante. Uma vez que este interveniente tinha mencionado a experiência do autor enquanto psiquiatra, este último falou longamente acerca das noites infindáveis no Hospital Miguel Bombarda e dos curiosos (ainda que irremediavelmente solitários) pacientes - especial destaque para os psicóticos, que segundo LA são "os mais criativos" - com que se cruzou. Um deles era um campino do Ribatejo que afirmava ser D. João I e exigia honras de tratamento régio. Outro afirmou um dia "o mundo começou a ser feito por trás". Exemplos como estes atestam a riqueza de experiências que o autor vivenciou e que, inevitavelmente, desaguaram na sua produção literária.
Foi uma conversa que, por mim, poderia estar ainda a decorrer agora, tal a força das palavras, a poesia constante que delas ecoava, e sobretudo a universalidade do discurso de Lobo Antunes. Uma pessoa fascinante, avessa às "Vossas Excelências" vazias e puritanas deste mundo, que não precisa de sorrisinhos de circunstância, nem de desfilar em palcos mundanos. Uma pessoa como todos nós, feita de luz e de sombra, de lua e de sol, dotada, porém, de um poder que poucos detêm: transpor para as palavras o âmago das emoções mais profundas e impronunciáveis. À custa de um trabalho muito intenso, minucioso, sem romantismos. Não há inspiração, apenas trabalho árduo. (Aconselha-se a leitura da crónica "O mecânico" em que somos convidados a entrar no universo da criação literária, na sua oficina.)
"Toda a vida ansiamos por ser compreendidos sem termos de falar". Está tudo dito.

quarta-feira, março 08, 2006

And the Oscar goes to...

A 78ª edição dos Óscares trouxe consigo grandes "colisões". A primeira seria, desde logo, o facto de o polémico filme Brokeback Mountain - bloqueio sempre ao tentar pronunciar este título, no desespero de não parecer ridícula, um pouco como na lengalenga "um tigre, dois tigres, três trigres(?)" - ter sido nomeado para 8 Óscares, tratando-se de um filme que teve a coragem de retratar o amor entre duas pessoas do mesmo sexo, sem caricaturas, sem lantejoulas ou vozes efeminadas. Muito pelo contrário. O filme de Ang Lee (premiado este ano com o Óscar de Melhor Realizador) apropria-se de um cenário tipicamente "western" da América profunda, marcadamente másculo e machista, em que os papéis sexuais estão bem definidos, e aí edifica uma história de amor, tão válida como qualquer outra, mas trágica, porque impossível. Curiosamente, foi nessa mesma América da interioridade e do conservadorismo que o filme teve uma projecção inesperada, atingindo índices de bilheteira tremendos. "Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes", a eterna questão...
Acho que nunca mais vou olhar para o John Wayne da mesma forma...
A segunda colisão foi o facto de, contrariamente às expectativas iniciais, o filme de Ang Lee não ter conseguido arrebatar os Óscares para que estava nomeado (ganhou 3 Óscares, ao invés de 8), colidindo de frente com "Crash". Colisão, de seu nome. Este filme interessante trata de outro tema controverso e pungente na sociedade americana: o racismo, mas não apenas o clássico confronto entre brancos e negros, mas todo o racismo que envolve asiáticos, árabes, latinos, etc e os estereótipos que se colam às pessoas, como se de uma sentença de morte anunciada se tratasse. O filme é composto por toda uma série de micro-histórias, de pequenos azulejos, que se vão encaixando num "puzzle" mais lato. O palco é Los Angeles, uma bomba relógio prestes a explodir, tal a dimensão avassaladora da tensão que consome os seus habitantes, em permanente rota de colisão. A banda sonora do filme é simplesmente perfeita, pois evoca a atmosfera de melancolia e de declarada ausência de esperança nesse cenário dantesco em que as pessoas já "não se tocam", como afirma, no início do filme, a personagem interpretada pelo magistral Don Cheadle (igualmente soberbo em Hotel Ruanda).
Não poderia deixar de mencionar o merecidíssimo Óscar atribuído a Philip Seymour Hoffmann pelo seu papel avassalador em Capote. Tal como disseram os críticos nova-iorquinos: "Só se a Terra for atingida por um meteorito é que Philip Seymour Hoffman não ganhará o Óscar de Melhor Actor". Para bem de todos, não fomos atingidos por qualquer meteorito e Philip Seymour Hoffmann ganhou o seu Óscar. Fomos atingidos, sim, pelo seu desempenho notável em Capote. As palavras afiguram-se irremediavelmente escassas para descrever o rol de sensações que a sua interpretação sobre-humana despertou. O livro de short stories do Capote está na mesinha-de-cabeceira, à minha espera...

sexta-feira, março 03, 2006

Da comicidade

Neste Inverno tão longo, quase eterno, reflicto sobre a comicidade e a importância do riso no contexto da existência humana, algo que está nos antípodas de um dia tão cinzento. A chuva não se compadece, por norma, com estados de espírito esfuziantes. Adiante... O riso funciona como catalisador, muitos dirão também como um refúgio perante o profundo absurdo da vida.
Nunca levo a sério as pessoas que se levam demasiado a sério. Sinto-me imediatamente fascinada por aqueles que fazem da auto-ironia a melhor arma e se riem de si próprios, como tão magistralmente o faz Woody Allen, o génio do cómico que aproveita todas as matérias e materiais para questionar a condição humana e torná-la compreensível à luz da absoluta incompreensão que lhe subjaz. De Woody Allen para Camus vai um passo apenas. É deveras ténue esta linha que se espraia do riso até à dor. Prefiro, porém, ficar do lado do riso e deleitar-me com ele, pois tudo é potencialmente risível! Hoje é um daqueles dias em que preferia rever Husbands and Wives a reler A Peste...
Mas, neste campo, não cedo a fundamentalismos, pois considero igualmente genial o humor de Seinfeld que instrumentaliza os pequenos nadas quotidianos e os transforma em matéria-prima cómica. É curioso observar que há uma série de comportamentos, atitudes, padrões que se repetem incessantemente, em todo o mundo. Os dilemas existenciais dos personagens de Seinfeld são também os nossos: encontrar o carro num parque de estacionamento de um centro comercial e acabar invariavelmente perdido e a filosofar sobre a vida; acabar uma relação de amizade (bem mais complexo do que pôr fim a uma relação amorosa!); passar horas no café com conversas ridículas desprovidas de sentido e que são curiosas fontes de prazer...
Remato com uma citação de Woody Allen: "Not only is there no God, but try getting a plumber on weekends. "
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