sexta-feira, abril 28, 2006

Reflexões avulsas




















Porque é que para tudo na vida há um prazo de validade? Até para a própria vida?
Não é uma questão particularmente solar num dia tão radioso como este, mas nem sempre o exterior/interior andam de mãos dadas.
E, por vezes, isso é tanto mais verdade quanto mais abissal a diferença entre um dia de sol fabuloso e um estado de alma (ainda) invernoso.
Excepção seja feita à amizade, tudo o resto se deixa corroer pelo tempo, ora aliado, ora inimigo e, na maioria das vezes, é irreversível. Haverá justificação plausível para esse facto? Seremos nós a causa ou a consequência?
O pensamento pode ser o maior dos fardos. Felizes os pobres de espírito que não são assaltados por dilacerantes questões, dilemas, recuos, avanços e vivem tranquilamente ao sabor das marés.
A solução será mesmo não perder o "amor pelas coisas banais" de que fala Lobo Antunes e saborear o sal das ondas, sentir o vento, a areia a escapar-se-nos por entre os dedos, inebriarmo-nos com a magia de um poema, da palavra escrita que escorre e percorre as nossas veias... E vivermos cada dia como se fosse infinito, porque a consciência da finitude das coisas é, por si só, deprimente e inevitável.

"Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. "Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

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