sexta-feira, junho 02, 2006

Crianças à margem
















Ontem comemorou-se o Dia Mundial da Criança. Ouvem-se gargalhadas sonoras e contagiantes, confettis e balões esvoaçam no ar, correrias desenfradas, abraços protectores, música alusiva aos verdes anos, crianças felizes um pouco por toda a parte.
Porém,a realidade não se tinge, infelizmente, de cor-de-rosa, à escala global.
Há exércitos de crianças despojadas de tudo, logo à nascença, que provavelmente nunca sentiram o calor reconfortante do colo materno, abrigo redentor à prova de toda e qualquer adversidade.
Há crianças que não vivem, sobrevivem, de acordo com a mais dura das leis e que se confrontam com um quotidiano de miséria, de carência, num universo absurdo e destroçado.
Há crianças que nunca receberam um presente, nem tão pouco sentiram esse frenesim da expectativa aquando do Natal. As renas do Pai Natal da Coca-Cola não chegam até lá. Detêm-se nos países abastados, em que as crianças, mergulhadas numa imensidão de brinquedos, Play Stations e outros, chegam até a olhar com enfado para um presente que lhes desagrade.
Há crianças que em vez de ouvirem o "Abram alas para o Noddi" ou as "Músicas da Carochinha", só ouvem metralhadoras, choros infindáveis de mães subnutridas, mas sempre mães, em profundo desespero por não terem os meios para conceder o sopro vital aos seus filhos que reclamam alimento.
Há crianças que nunca viram um balão, que nunca fizeram voar um papagaio de papel, que nunca viram o mar, que nunca correram para os braços dos pais, ao longo do vasto areal.
Não podemos esquecer estas crianças. Elas são, efectivamente, "o melhor do mundo". Todas, sem excepção.

Estreia hoje um filme All the invisible children, realizado por uma série de realizadores de renome ( que vêem na arte do cinema algo mais que fazer filmes acéfalos e "pipoqueiros")- Emir Kusturica, Spike Lee, John Woo, Ridley Scott, por exemplo - que conta com o alto patrocínio da Unicef e do Programa Alimentar Mundial e que retrata a dura e crua realidade dessas mesmas crianças marginalizadas, em países como a Sérvia, a China, os Estados Unidos, entre outros.

O filme é constituído pelos seguintes filmes/documentários:
Tanza de Mehdi Charef (África)
Blue Gipsy de Emir Kusturica (Sérvia)
Jesus Children of America de Spike Lee (EUA)
Bilu e João de Katia Lund (Brasil)
Jonathan de Jordan Scott e Ridley Scott (Reino Unido)
Ciro de Stefano Veneruso (Itália)
Song, Song & Little Cat de John Woo (China)

É claro que ninguém fala deste filme, mas nem só de "Da Vincis" se faz o cinema...

4 comentários:

Laurie disse...

falas desse filme no teu "Verdeutchen"!!

Di disse...

"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada"
(Fernando Pessoa)
Beijão Gd
ESTÁ DEMAIS!!!
(Espero q nunca percamos a criança q está dentro de nós!!!)

Fernando Sousa disse...

Até quando segurarás tu esse estado de alerta.
Até quando podes espalhar assim estes avisos.
Espero que pra sempre.

Ana Cota disse...

Não podemos resvalar para a indiferença e fazer de contas.A realidade é demasiado cruel para se apagar.Sempre alerta. Para sempre alerta.

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