quinta-feira, julho 20, 2006

Encontros e Despedidas


O tempo passa e as pessoas vão-se afastando aos poucos, tentando, todavia, não provocar uma ferida muito óbvia. Com a discrição que se impõe. As vidas seguem rumos diferentes, como se tornou hábito dizer, e nós fingimos acreditar nessa irrevogável premissa. É mais simples mentir a nós próprios do que dar de caras com a verdade. E, por vezes, as pessoas afastam-se mesmo. As memórias que outrora carregavam no regaço perdem-se pelo caminho, esvaem-se, transformam-se nem sei bem em quê.
A distância geográfica não passa de uma desculpa confortável. E as pessoas vão-se fechando cada vez mais no seu casulo, sobre si mesmas, isoladas do mundo envolvente. É a solidão dos tempos modernos. Para a debelar, as pessoas consomem com frenesim ou então enviam sms, porque falar está mesmo fora de questão. É demasiado íntimo, vincula-nos a um grau insuportável. Trocam-se palavras de ocasião, tenta-se fazer um resumo dos acontecimentos principais (por vezes, não há nada de estrondoso para se contar, mas mesmo assim tentamos usar todo o nosso poder criativo). Todos somos estrangeiros perante os outros e nós mesmos
também.
Sinto infinitas saudades desses tempos em que achávamos que as relações eram eternas e os laços inquebrantáveis, em que não precisávamos de telemóveis, em que dávamos um abraço profundo e sentíamos o calor do outro, a sua humanidade. Hoje em dia, tudo é fugaz, virtual, feito de evasões sucessivas.
E tudo isto porque lá fora se ouvem os risos límpidos das crianças a brincar, numa inocência iniciática da qual já não restam quaisquer vestígios.
… Apesar de cá dentro de mim, numa daquelas salinhas recônditas, lá no fundinho de mim, continuar a pular, a rir, a brincar e a dar as mãos a todos os meus amigos que viverão sempre em mim, nessa salinha longínqua …

7 comentários:

al cardoso disse...

Bom fim de semana, virei com mais vagar para comentar.

Ana M Abrantes disse...

Na verdade, acho que sempre foi assim. Menos frenético, é certo. De resto, se hoje nos queixamos da rapidez com que se cruzam e descruzam os caminhos, dantes era a rotina prolongada que nos incomodava, de encontrar sempre os mesmos rostos e atrás deles as repetidas histórias.
O melhor mesmo é pensar em quem estará ao virar da próxima esquina, prestes a trazer mudança e que como nós caminha, ignorante do seu destino. Aufregend, was? :-)

Ana M Abrantes disse...

A propósito das cores: http://www.zeit.de/dpa/generatedSite/iptc-bdt-20060720-353-dpa_12239080.xml

Juca disse...

Citando: "O melhor mesmo é pensar em quem estará ao virar da próxima esquina, prestes a trazer mudança e que como nós caminha, ignorante do seu destino."

Gostava imenso de poder usar este pequeno texto como uma espécie de guia...tipo mapa, mas abstracto, como se fosse uma daquelas pinturas célebres das quais quase toda a gente troça porque não entende, ou se julga capaz de fazer o mesmo...Ou então seria o:"Pensamento do dia."
Mas não...porque não há ninguem ao virar da esquina...nem tão pouco prestes a trazer mudança...
Pelo menos eu já "desisti" dessa esperança...
E estando esse ser, ignorante do seu destino...pouco ou nada poderá ajudar...

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