domingo, dezembro 31, 2006

Happy New Year!


Uma antevisão interessante do que será o ano de 2007, com o esquematismo a que a Wikipedia já nos habituou. Feliz Ano Novo!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Contra a TLEBS marchar, marchar!

Neste link encontra-se um abaixo-assinado contra a polémica TLEBS - Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (acerca da qual escrevi a 17 de Novembro) elaborado por figuras de proa das letras portuguesas. Depois só terá de enviar um e-mail para tlebs.300@gmail.com e juntar a sua voz a este protesto. Participe!

Pontuando

Penso com pontuação. A minha cabeça enche-se de pontos de interrogação, de exclamação, de vírgulas incessantes, que pululam por todo o lado e eu ali no meio de todo aquele caos de pontos e mais pontos, tentando perceber até que ponto isto será normal. Tenho tudo tão meticulosamente estruturado, com a precisão de um relojoeiro suíço (provavelmente os únicos que chegam a tempo quando ainda se vai a tempo de alguma coisa), que fico perplexa quando só vejo reticências à minha frente e também o rosto atónito do meu interlocutor que vê apenas a minha expressão imóvel. Nessa fracção de segundo, nessa troca de perplexidades, lá ando eu, de gatas, à procura de um outro sinal de pontuação que coroe de êxito as minhas palavras reflectidas. Mas em vão, por momentos, só esses três pontinhos que apontam para o infinito parecem adequados. É difícil encontrar um ponto final em termos nos dias de hoje. Os travessões já nem se usam sequer, são verdadeiramente anacrónicos. Os pontos de exclamação e de interrogação actuam com rapidez e vão directamente ao ponto. Tudo redunda em pontos, de preferência, nessas eloquentes reticências que nos abrem o horizonte de todas as coisas que podem ser ditas sem o serem verdadeiramente.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Merry Christmas!

Parece patético ou indicador da centenária falta de auto-estima portuguesa, mas o Natal sabe melhor em Inglês. Não sei se foi da invenção pela Coca-Cola do senhor das barbas que este ano está completamente na moda ( por usar vermelho), ou da própria noção de consumismo desenfreado que nasceu no berço do capitalismo, mas o que é facto é que as canções de Natal soam muito bem em Inglês, parecendo fazer todo o sentido. Deixo aqui um clássico que dispensa apresentações e um belo hino para este Natal. Feliz Natal a todos!

domingo, dezembro 10, 2006

"Natalizando"

O Natal assenta numa profunda ironia (e daí ser uma época potencialmente interessante): trata-se de uma quadra festiva que não admite outro sentimento que não o da absoluta felicidade. No entanto, a realidade é bem diferente deste quadro idílico e pinta-se de outras tonalidades, bem mais cinzentas. Nesta altura do ano, há uma multidão de pessoas que acorre a psiquiatras, psicólogos e terapeutas para tentar encontrar a chave para uma questão profundamente complexa: como estar sempre feliz? A ditadura da harmonia baseia-se, afinal, numa profunda crueldade, pois todos nós bem sabemos que o Natal nunca é quando um homem/mulher (expressão algo sexista!) quer e que não passa, no fundo, de uma sucessão de boas intenções.
Por ser Natal, não acaba o analfabetismo ou a miséria. Por ser Natal, não cessa o conflito no Médio Oriente, nem o recrudescimento dos fanatismos religiosos e do terrorismo. Por ser Natal, não se assiste à erradicação da pobreza no mundo, nem à resolução das graves crises que assolam o planeta. Por ser Natal, Bagdade não se torna subitamente um local aprazível e pacífico. E por daí em diante, numa espiral infindável.
Creio que quando começamos a perder as pessoas que nos são muito queridas, esta época vai perdendo gradualmente o seu significado. Sente-se com mais veemência o peso dos anos e da saudade que fica em nós e se crava com mais e mais intensidade, sempre implacável, sempre dolorosa.
Mas é bom olhar para o sorriso aberto das crianças quando desembrulham os presentes de Natal e irradiam felicidade, essa, sim, sincera e sentida. “O melhor do mundo são (mesmo) as crianças”, como dizia o poeta.
Assim como é muito agradável vislumbrar as iluminações natalícias que tomam as ruas e as praças, numa teia de luz que nos enleia docemente.
A grande solução para viver o Natal com o mínimo de sanidade passa por não ceder ao consumismo desenfreado que nos impõem (conheço pessoas que nem sequer prendas trocam, o que, de facto, é extremamente revolucionário!) e, mais importante ainda, passa por ter a lucidez para ver que não se pode estar incessantemente feliz, como se de uma obrigação se tratasse. A magia do Natal reside na veracidade dos gestos e dos afectos e quem melhor que as crianças para nos encaminharem por esse trilho que insistimos em contornar?...
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