segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Munique


Munique é, sem sombra de dúvida, um filme poderosíssimo que nos consome as entranhas. Confesso que, alguns dias após o filme, certas imagens insistiam em ser projectadas na sala de cinema que se instalou na minha mente (à minha revelia?) e creio que ainda não o "digeri" devidamente (no bom sentido!).
Gosto sempre de ler múltiplas críticas antes de ir ver um filme, de preferência totalmente opostas, divergentes, contraditórias que estejam nos antípodas da subjectividade e do juízo individual. Tanto mais estimulantes.
Para além de todas as questões de fundo que já foram sobejamente debatidas, discutidas, abordadas e teorizadas por um número infinito de especialistas na matéria, a verdade é que Munique se centra no indivíduo e nos seus dilemas-base. Para além de todas as ideologias, dos valores mais altos, das grandes noções que fundaram o ideal de Civilização, encontra-se o indivíduo, frágil e vulnerável, corroído pelo medo óbvio de se tornar duplamente carrasco e vítima. Há hesitações, avanços, recuos, sempre com a Morte como pano de fundo, inescapável e altiva. Desenvolve-se um clima de amizade - valha-nos algum ténue "comic relief" que aqui e acolá atenua o peso da realidade!- entre os agentes do plano de retaliação após o assassínio dos atletas olímpicos israelitas, mas essa aparente união é tanto mais dramática quanto a irreversibilidade de tudo se desfazer em pó e cinza e o indivíduo se sentir ainda mais só e desesperado.
Independentemente dos valores que se defendam e da validade dos argumentos, carrascos e vítimas estão fadados a fundirem-se num só. É-se sempre vítima da sentença que se inflinge a outrem, uma espécie de "morte anunciada". Mesmo que se sobreviva fisicamente. A única via possível é a da harmonia. De mãos dadas ... sem mais sangue...
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