terça-feira, abril 25, 2006

Onde pairam os amanhãs que cantam?

Hoje que se assinala o 25 de Abril, o marco histórico da fundação da democracia e da liberdade, creio que é importante reflectir sobre o fim (?) dos ideais.
É com uma pontinha de inveja, confesso, que ouço relatos daqueles que viveram esse período decisivo e fervilhante da nossa história, que foram alvos de perseguição acérrima, que se viram na contingência de mudar a identidade, cuja vida foi virada e revirada do avesso.
Tudo em nome de um ideal: o fim da ditadura - de uma pesada e pesarosa ditadura salazarenta, à portuguesa, sem qualquer "glamour" militar ou poses triunfantes, o eterno "orgulhosamente sós" provinciano feito de palavras sibilantes - e a implantação da democracia.
Volvidos 32 anos, tomamos tudo por adquirido e já não se sente sequer um leve sopro da centelha revolucionária. Constato com perplexidade que há pessoas que se recusam a celebrar esta data tão profundamente importante e outros ainda, jovens! saliente-se, que se recusam a dizer 25 de Abril, remetendo-se ao 25 do 4! É verídico e não menos mais preocupante!
Como seria viver num país silenciado pela ditadura, mesmo que à escala portuguesa, mas ditadura, num inverno eterno de solidão e de ausência de pluralidade? Como seria viver num país que não admitia múltiplas verdades, oprimindo quem pensasse de outra forma?
São precisamente os heróis da liberdade que merecem a nossa profunda admiração, pois lutaram até ao último suspiro para fundar a democracia, que, obviamente, não é perfeita ou uma obra acabada, mas que existe!
Hoje em dia, as gerações mais novas (na sua maioria) estão mais obcecadas em comprar o último modelo do telemóvel da marca xpto ou o carro x topo de gama (sempre!) a lutar por novos e reciclados ideais. A luta dos jovens de França (ainda que extremada devido à actuação de franjas marginais) contra o penalizante Contrato do Primeiro Emprego faz suspirar quem seja habitado pelo espírito revolucionário.
Não terá sido este espírito que levou os nosso navegantes por "mares nunca dantes navegados"? Audácia, precisa-se. Posted by Picasa
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