terça-feira, junho 06, 2006

As pessoas do Pessoa na nossa pessoa














Já tanto se escreveu e se dissertou acerca do poeta grande da língua portuguesa, Fernando Pessoa, que tudo parece já redundante, vazio de significado.
Tal como Pessoa, também nós somos uma multitude de personagens que nos habitam e que, no caos das suas contradições, habitam em nós, lutam por supremacia, dividindo-se pelos compartimentos recônditos do nosso ser. No dia-a-dia, são múltiplas as máscaras de que nos munimos para conseguir sobreviver num mundo subjugado pela lógica fria dos números.
Um pouco de Poesia logo pela manhã será, certamente, um bom antídoto contra a superficialidade que assola o mundo de hoje.
Deixo aqui um poema de Pessoa, artífice supremos das palavras. Perdoem-me as palavras envergonhadas que escrevinhei atrás. Ao pé das de Pessoa, mais não são do que risível pó...

Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
Ricardo Reis

Ai Timor...

Foi com tremenda perplexidade que assisti ao alucinante desenrolar dos acontecimentos mais recentes em Timor Leste.

Creio que quando rebentaram os tumultos e a agitação social, não se compreendia muito bem a génese de toda a discórdia. Nos meios de comunicação, denotava-se uma preocupação mais descritiva do que propriamente explicativa.

À medida que os confrontos iam adquirindo maiores proporções, surgiram então as explicações e muito se especulou sobre os eventuais motivos de um tamanho retrocesso. O governo de Timor Leste, consciente da insustentabilidade da situação, viu-se obrigado a apelar à ajuda internacional, com vista a garantir a segurança das populações, ou pelo menos a atenuar os efeitos do caos instalado.

Vemos imagens de jovens, assustadoramente jovens, a lançar pedras (numa espécie de estranha intifana), a queimar casas, enquanto as pessoas, desesperadas, desertam para as montanhas.

Há quem defenda que os interesses externos são os principais motores nefastos deste autêntico estado de sítio que se apoderou do país, varrendo-o sem dó nem piedade. O petróleo seria, desta feita, o grande móbil do crime. Por outro lado, há ainda quem aponte razões que se prendem com conflitos étnicos.

Porém, sejam quais forem os motivos, é verdadeiramente triste assistir a esta autêntica tragédia que assolou novamente Timor Leste, um país que, heroicamente, conquistou a sua auto-determinação e que, a passo e passo, foi renascendo das penosas cinzas de um passado recente. Foram inúmeras as vidas que pereceram em prol da causa da independência, da liberdade de afirmação enquanto país autónomo e detentor de uma identidade própria.

Ai Timor, como é triste o teu fado...
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