segunda-feira, agosto 14, 2006

Começar de novo

Não é apenas um título celebrizado pelo músico brasileiro Ivan Lins, mas também o mote dos milhares e milhares de pessoas que, no Líbano, regressam às suas aldeias e cidades, aos seus lares, provavelmente destruídos pela força cega da guerra, conduzidos pela obstinação de recomeçar.
Não querendo parecer parcial ou apologista de somente um dos lados desta contenda sangrenta, é basicamente impossível ficar indiferente a essas comoventes movimentações humanas que, após o tão almejado cessar-fogo da ONU, fazem o percurso de volta às suas raízes.
É deveras impressionante ver as filas de carros que se atropelam, empoeirados e decrépitos, para rumar ao ponto de partida. Os sobreviventes embarcam numa espécie de esperança desesperada de reconstruir as suas vidas e de resgatar o que ainda resta delas. Semelhante fenómeno também se constatou, por exemplo, ainda durante a guerra, em que as pessoas se recusavam a abandonar as suas casas e continuavam a vida "normal". Nas inúmeras reportagens que se fizeram, as roupas permaneciam penduradas nos estendais, o que constitui, sem sombra de dúvida, uma imagem desarmante, bem como um sinal óbvio de que o ser humano, em situações-limite, pode adoptar os comportamentos mais improváveis.
Todas as guerras são insanas e brutais, daí que nestas questão tão intrincada como é a guerra, se deva procurar encontrar o trilho da paz, não enveredando por uma visão ou postura ideológica facciosa e unilateral, que contemple as razões de apenas um lado. A dualidade Bem vs. Mal também se afigura extremamente redutora, senão mesmo ridícula, com laivos quase infantis. Há que concentrar todos os esforços na via negocial e diplomática, pois do confronto bélico nada de benéfico provém, apenas sangue e lágrimas infinitas.
A comunidade internacional, a ONU e as grandes potências mundiais têm de se empenhar com afinco e determinação no sentido de, em primeiro lugar, ajudar os sobreviventes e garantir o eficaz processo de reconstrução (esse tão desejado "começar de novo") e de lutar contra grupos terroristas que, como se viu neste caso específico do Líbano, semeiam a guerra, o fanatismo e o extremismo, comprometendo a segurança de países que, afinal, poderiam servir de interlocutores neste interminável conflito do Médio Oriente.

Começar de novo (Ivan Lins)
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
A imagem foi retirada do Frankfurter Allgemeine Zeitung.
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