quinta-feira, agosto 31, 2006

To zap or not to zap, that is the question

O panorama dos media portugueses é, sem dúvida, confrangedor, o que não constitui propriamente novidade. Este facto tem vindo a agudizar-se a um ritmo alarmante.
É certo que durante a designada silly season, não há, por norma, acontecimentos de especial destaque, no entanto os meios de comunicação social (leia-se as televisões portuguesas, à excepção da SIC Notícias, que se pode dar ao luxo de transmitir informação de qualidade a qualquer horário, com excelentes comentadores e opinion makers, sem se submeter às Floribellas e afins deste mundo) acentuam ainda mais esta tendência que já se tornou regra nos meses de Verão. É um pouco aquela lógica do “pão e circo”, como se na época estival se tivesse de poupar a populaça de fazer uso dos seus neurónios.
Há sempre um repórter a fazer cobertura do que não interessa e a pedir a opinião do Tio Joaquim e da Tia Alzira, com os sobrinhos e os netos a saltitar em frente à câmara, por vezes munidos de cartazes e cujos contributos são, de facto, determinantes para a nossa percepção do mundo. Nunca a máxima orwelliana “Big Brother is watching you” foi tão verdadeira e actual.
Quando nos sentamos às oito para ver o telejornal, depois de um dia de trabalho (por incrível que pareça, também se trabalha em Agosto!), desfila perante os nossos olhos, ávidos de notícias interessantes, de reportagens com conteúdo e alguma densidade, o triste cenário das lides futebolísticas (ainda não percebi o que se passou no arranque da liga, nem quero!), das notícias de faca e alguidar e de tudo o que seja particularmente trivial e despojado de interesse.
Só perto das nove da noite é que começam as notícias que deveriam figurar em primeiro lugar no encadeamento lógico. No entanto, a ordem natural das coisas é sempre diferente entre nós. Um país que se preocupa mais com as trocas e baldrocas do universo do futebol do que com os acontecimentos políticos mundiais está irreversivelmente condenado. Devíamos concentrar mais o nosso olhar no Irão do que na Carrapateira de Cima.

(O Tio Joaquim e a Tia Alzira que me perdoem!...)
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