sexta-feira, setembro 08, 2006

(Re)encontros

O dia em reencontramos velhos amigos é sempre envolto de um grande frenesim, muito semelhante àquele que sentíamos em pequenos antes de uma viagem, em que mal conseguíamos pregar olho durante a noite.
Em criança, pensava que o mundo parava nos sítios onde eu não estivesse. É uma boa dose de narcisismo e de sentimento egocêntrico, bem sei, ainda por cima numa fase tão precoce da vida, mas como diz o velho ditado: “é de pequenino…”. Acreditava mesmo que as pessoas ficavam suspensas, completamente imóveis, e que só recuperavam as suas vidas normais quando me encontrassem.
No entanto, essa crença patética logo se desfez com a inevitável maturidade. Apercebo-me, assim, de que as vidas das pessoas que integram o meu universo de afectos mudaram e muito, tal como a minha, obviamente, pois não me limito a ser um observador distante que recolhe dados para elaborar um qualquer estudo científico. Ainda que o tempo corra, cada vez mais célere, a veracidade dos laços perdura e intensifica-se. Mesmo que se abata uma cortina de silêncio, mesmo que se passem meses a fio, mesmo que o telefone não toque.
É tão bom quando, em vez da voz das pessoas amigas, as temos em carne e osso à nossa frente, prontos para uma noite de conversa interminável, em que começamos muito compostinhos e, no final, já o rímel caiu para o queixo e começam-se a fazer sentir os efeitos daquela garrafa de Monte Velho.
Com os anos (e já são 28!), aprendi a respeitar o silêncio e a não exigir demasiado e, sobretudo, a valorizar os efémeros, porém intensos, momentos de felicidade e de partilha. Porque o mundo segue o seu rumo e não fica imobilizado.
Adoro quando o silêncio se quebra e só se ouve o riso. E o casamento de uma grande amiga é um bom mote, sem dúvida.

“A amizade é o amor sem asas.” Lord Byron
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