sexta-feira, outubro 13, 2006

verde código verde


Tenho saudades daquelas lojas de antigamente, em que éramos tratados como se fossemos herdeiros de um vasto império, em que as pessoas olhavam fundo nos nossos olhos e em plenos pulmões, nos desejavam um saudável “bom dia” que ecoava dia fora.
Há dias fui a uma dessas lojas muito antigas, dominadas pela madeira escura, como que mergulhadas numa escuridão acolhedora. Daquelas lojas que ainda não têm Multibanco e que nos “obrigam” a andar uns irrelevantes metros para ir levantar dinheiro (hoje em dia, os cartões Multibanco são como que uma extensão dos nossos dedos, já não concebemos a vida pré-telemóvel, pré-ATMs, pré-Internet. A vida antes deles parece apenas um episódio improvável de tão obsoleto). Mas vale a pena. Adquirem-se peças de qualidade e mais importante ainda, faz-se uma autêntica viagem no tempo e abrimos a porta a um universo de nostalgia que nos embala docemente.

(Em Alemão, há uma expressão muito engraçada para a loja de bairro ou loja de esquina – uma daquelas expressões intraduzíveis porque muito específicas de uma cultura – “Tante-Emma-Laden”, que traduzido à letra seria “a loja da tia Ema”. Nós por cá temos o Mestre André que, infelizmente, se tornou uma espécie em vias de extinção.)

Abomino a simpatia asséptica e artificial dos regimentos de bonecos robotizados que nos tentam convencer de que ficamos bem com qualquer indumentária (quando se dão a esse trabalho), para depois nos brindarem com o “verde código verde” da praxe, num insuportável tom de desprezo. Seguinte. Já não há 34.

(E aquela música detestável que nos impõem numa ditatura massificada própria de um mundo globalizado continua a tocar, em altos berros...)
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