sábado, maio 26, 2007

Hotel Puerta America em Madrid

Deixo aqui algumas imagens de um hotel alucinado e arrojado que abriu recentemente em Madrid. Cada piso do hotel tem a assinatura de um decorador diferente, criando-se cenários simultaneamente oníricos, psicadélicos e futuristas. Todo o Hotel é uma espécie de "twilight zone" em que se perde a noção do tempo e da convencionalidade do espaço. Um verdadeiro hino ao poder do design e, sobretudo, da urgência da diferença. Hotel Puerta America. Ficam as portas abertas.

domingo, maio 20, 2007

sábado, maio 19, 2007

Last saturday



E agora para algo completamente inconfessável: no sábado passado fui ao concerto de George Michael em Coimbra e, mais inconfessável ainda, adorei! Foi um espectáculo memorável, ao mesmo tempo electrizante e muito comovente, afinal de contas as suas baladas inconfundíveis acompanharam toda uma geração que marcou presença neste concerto.
Eu era ainda "menina e moça" (como diria Bernardim) quando ouvia aquele que constitui já um clássico de canções de Natal - o "Last Christmas" - e desde então sempre me senti feliz ao ouvir essas músicas, sem qualquer razão aparente, apenas pela música em si, mesmo tratando-se de canções que abordavam a ruptura e a angústia da perda (era ainda demasiado nova para perceber os caminhos sinuosos do jogo dos afectos), esboçava um sorriso inesperado. E foi sempre assim, por mais inacreditável que seja e também desconcertante, pois não percebo como posso conciliar o amor à bossa nova, a Tom Jobim, a João Gilberto ou aos grandes ícones da MPB, como Chico ou Caetano, ao jazz, ao soul e ao mesmo tempo partilhar esse espaço com a música de George Michael, cujas letras e arranjos musicais radicam num certo (estarei a ser benevolente?) simplismo.
Há contradições não resolvidas dentro de todos nós que serão sempre uma verdadeira incógnita, um puzzle sem solução aparente. Quando vi os concertos de Caetano ou o de Chico, no ano passado, senti-me invadida por uma torrente de poesia que varre por completo a alma e a desnuda irremediavelmente, como se tivéssemos a absoluta convicção de aquele poema específico retrata a nossa vida.
No concerto de George Michael fui transportada para os tempos da infância e à memória vinham todas as imagens a ela associada, com uma nitidez desarmante e durante essas 3 horas, em que dancei, pulei e cantei a plenos pulmões, senti-me simplesmente feliz, sem ter de dissertar sobre os porquês ou sobre a legitimidade desse estado de espírito reconfortante. Como se não houvesse amanhã e, naquele momento, queria que aquela felicidade se estendesse para sempre. Por mais contraditório que pareça...ao som da voz inquebrantável e poderosíssima de George Michael!

A luz ao fund(ã)o do túnel

Descobri na passada quarta-feira um verdadeiro oásis de cultura, numa cidade inesperada e, teoricamente, votada a um eterno desconhecimento. No Fundão, nasceu em Fevereiro a Moagem - Cidade do Engenho e das Artes, que desde logo cativa pela originalidade do nome.
Neste reconvertido edifício que outrora albergava a Moagem do Fundão, e que durante a segunda guerra mundial alimentou - literalmente - a população local, apresentam-se exposições de cariz eminentemente contemporâneo, exibindo neste momento uma extensão da exposição da Gulbenkian "O estado do mundo / The state of the world".
Para além dos concertos e de originais workshops (como por exemplo um muito actualizado workshop sobre tratamento de bonsais) que decorrem na Moagem, este magnetizante edifício que conserva a traça original, abraçando em simultâneo (e sem ser sequer contraditório) os traços da arquitectura de cariz contemporâneo, oferece ainda um tranquilizante lounge com uma vista absolutamente encantadora sobre a Serra da Gardunha e desenha-se para breve a abertura do restaurante e de um núcleo museológico de arqueologia industrial, no qual figurarão as máquinas que habitavam a antiga Moagem do Fundão.
Haverá muitas "Moagens" por esse país fora que ainda permanecem na clandestinidade e, nos bastidores desses mesmos espaços, residem vontades inabaláveis e temerárias movidas pela crença de que as cidades de pequena e média dimensão podem ser núcleos de modernidade e de contemporaneidade e que - mais importante ainda - os seus habitantes poderão fruir das mais recentes produções artísticas, sem que para tal tenham de se deslocar aos "grandes centros".
O Teatro Municipal da Guarda, o Teatro Viriato, em Viseu, o Teatro de Vila Real, e a Moagem do Fundão constituem ecos de uma mudança que subtilmente se vai implementando e que, dessa forma, devolve o prazer de viver nas e as cidades. E pelo prazer é que vamos.
Deixo aqui algumas imagens para aguçar o apetite, numa cidade onde se degusta cultura e cerejas carnudas, de sabor inconfundível.
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