terça-feira, junho 12, 2007

A ordem natural das coisas


Antes de começar a escrever um novo texto, tento desesperadamente encontrar o título para a partir daí poder deambular sem angústias e ao sabor das palavras que aguardam em fila indiana, numa ânsia de supremacia.
Acredito que cada coisa tem um lugar único e intransmissível, daí a minha obsessão em querer atribuir um abrigo seguro ao papelinho mais ínfimo, em caixas que se amontoam cheias de tudo e de nada ao mesmo tempo, mas que fazem todo o sentido num universo microcósmico muito próprio.
Não consigo deitar fora palavras que escrevi, mesmo que à distância temporal pareçam absolutamente ridículas e até risíveis.
Não consigo livrar-me de um exército de papéis que me persegue desde sempre e que eu cultivo com um amor, no mínimo, estranho: bilhetes de cinema, bilhetes de metro, de Carris, cartões de restaurantes, mapas já datados, cartas, bilhetes, recados...
Para onde quer que vá, levo todos esses pedacinhos de mim que contrariam a minha essência nómada. Esses vestígios quase paleolíticos fixam-me, de certa forma, e através deles, ainda que por vezes já danificados e amarelecidos pelo tempo (o que encerra em si uma magia indizível), posso ler nas entrelinhas do que sou.

3 comentários:

Ana M Abrantes disse...

Liebe Ana,
dann habe ich was Gutes für Sie. Schauen Sie mal hier: www.absender-unbekannt.de
Ihr Papierheer kenne ich allzu gut. Und doch macht eine unerwartete Enteckung nach all den Jahren eine ungeahnte Freude. Mein Tipp: werfen Sie nichts weg, solange es nicht an Platz mangelt.
Herzliche Grüsse,
Ana M.

ratchim disse...

ola ana!
cantinho simpatico que aqui tens :)
beijinhos,
claudia

al cardoso disse...

Tambem eu gosto de guardar papeis, embora possa nao ser tao organizado como desejava!

Um abraco d'Algodres.

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