quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Is a pipe really a pipe?

A língua inglesa tem a grande vantagem de conseguir definir a essência das coisas em palavras objectivas, diria mesmo straight to the point. O Português, por seu lado perde-se num labirinto infindável e denso de frases aparentemente intermináveis, submersas num mar de divagações e devaneios. Não sei se serão reflexos ou ainda resquícios de um certo sebastianismo, deste nosso carácter fatalmente lírico que tenta perder-se nas palavras. O Inglês encontra-se e racionaliza-se nelas e por meio delas.
Há momentos em que somos, de súbito, acordados para a omnipresença dos nossos medos que julgávamos há muito enterrados. Acreditamos sempre que somos donos e senhores do nosso destino e que todos os fantasmas ficaram bem guardados num qualquer baú poeirento que nos habita. Mas de repente tudo vem à tona e acabamos mesmo por naufragar nesse oceano implacável que se adensa a cada instante. É nesses momentos que precisamos mesmo de focus upon ourselves e de discernir um raio, ainda que ténue, de luz para nos evadirmos de nós mesmos.
Não passará tudo de uma questão linguística? Anseio por aprender uma língua que me defina e que consiga exprimir cada nuance dos meus compartimentos secretos. Pelo menos em Inglês, há um rumo delineado em que para cada questão, espreita sempre uma resposta, ávida de se extravasar.
Talvez a solução resida numa qualquer Torre de Babel com línguas a digladiarem-se ferozmente e que, no final (há sempre um happy end inevitável), emerge a verdade, como um cristal de múltiplas faces que se deixa penetrar pela luz, numa epifania libertadora. Até lá, resta apenas a certeza de se caminhar pelas trevas, na ilusão da lucidez.
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