domingo, março 04, 2007

Der Himmel über Berlin

O frenesim da expectativa que antecede qualquer viagem. Sinto-me sempre regredir à infância em que na véspera de qualquer passeio, passava a noite em claro (verdadeiras "noites brancas"à la Dostoievski), revirava-me e dava voltas e mais voltas infindáveis na cama e projectava essa minha ansiedade, imaginando como seria o dia seguinte que se desenhava memorável.
Depois de amanhã regresso a Berlim, por uma semana, cidade única, em que a História se revela em cada rua, a cada passo. Berlim não se envergonha dos momentos mais sombrios do seu percurso histórico e faz questão de o preservar e de o veicular a todos que a procuram.
O que mais me impressionou em Berlim - para além da verdadeira orgia de estilos arquitectónicos, em que cada edifício se ergue em forma de provocação, numa harmonia entre tradição e contemporaneidade - o impacto causado, sobretudo, pelo parlamento alemão, o Reichstag, imponente e grandioso, que nos convoca a uma irresistível viagem pela História. Ainda no Reichstag, a ousada cúpula de Norman Foster merece um especial destaque. Daí se avista Berlim em toda a sua extensão, em toda a sua beleza, cinzenta, é certo, mas Berlim detém aquele fascínio de diva triste, que, embora triste, sabe que será sempre bela.
O filme de Wim Wenders - Der Himmel über Berlin (Wings of Desire) - é uma boa iniciação a esta cidade que, no fundo, concentra em si várias cidades e diferentes microcosmos. Melhor do que ver esta obra-prima de Wim Wenders, a preto e branco, só mesmo partir rumo a Berlim. A cores.
Follow my blog with Bloglovin