sábado, setembro 22, 2007

(In)traduzível


A tradução é uma viagem, umas vezes mais curta, outras mais longa, umas vezes mais pacífica, outras mais conturbada, mas sempre uma viagem, incerta, enigmática. E eu acabei de chegar de uma dessas longas viagens pelas palavras em que se tenta com ardor conciliar dois universos, duas culturas e duas perspectivas do mundo que se pretendem harmoniosas e fluidas. Durante essa viagem, é impossível fazer interrupções ou pausas para mergulhar numa outra realidade. Não há outra realidade possível que não aquela que se nos apresenta perante os olhos. Já sentia saudades, porém, de escrever as minhas próprias palavras, de me abandonar ao sabor das frases, do atropelo de pensamentos e de emoções, e de tentar escrever o texto que traduza por completo o que sinto, aquele que me habita e que anseia ser verbalizado e posto a nu, sem pudor. Mas nunca consigo reler o que escrevo, acho sempre que ainda não foi dessa ou desta que esse texto saiu das entranhas e ganhou vida própria. Como é árdua a tarefa de traduzir...sem trair!

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