domingo, fevereiro 24, 2008

I would like to thank the Academy...


Hoje é dia de entrega de Óscares. Será que é desta que os outsiders irmãos Cohen irão arrebatar as estatuetas douradas com o seu (ao que dizem arrepiante) "No country for old men"? E que vença Javier Bardem como melhor actor secundário! Por supuesto, ¿no?
(Estreia dia 28 de Fevereiro em Portugal)

(ainda) as obsessões

Numa época de lamentável "rhianização" da música, ainda há vozes que resistem e músicos que não vão por aí, que percorrem outros trilhos, outras sonoridades. Aqui fica "Tears dry on their own" da magnífica voz de Amy Winehouse. Uma diva.

Da interioridade


Uma das coisas que mais sinto falta em Viseu é da existência de um espírito de efectiva vivência da cultura, cuja ausência se torna evidente numa simples ida a uma livraria que se pode converter num verdadeiro jogo de nervos. Há dias, fui a uma das (cada vez mais escassas) livrarias da cidade, na demanda de livros (sempre numa lógica plural) do autor japonês que constitui a minha obsessão predilecta: Haruki Murakami.
(Sempre fui do género de me entregar obsessivamente a um autor, a uma música que ouço vezes sem fim, até aos limites da loucura e da exaustão, mas isso nada tem de doentio…creio…)
O nome do autor coloca, desde logo, sérios entraves ao diálogo com a pessoa que nos atende numa dessas livrarias. Se optarmos pelo nome inteiro, tanto mais incompreensível e improvável. Fiquemo-nos pelo apelido. Murakami.
- Mura…quem?
Repetimos o apelido, esboçando um indisfarçável olhar de enfado e de revolta.
Constatamos, tristemente, que a livraria só tem 2 (!) livros desse autor.
Concedem-nos sempre a benesse de encomendar, o que é absolutamente deprimente, constituindo a prova cabal da escassez de títulos disponíveis nas livrarias.
Se fosse à procura de “pseudo-literatura”, seguramente teria mais sorte e poderia voltar para casa recheada de compras, ou para ser mais concreta, de puro lixo.
- Não, não quero encomendar, obrigada.
Acabei por comprar a obra Dança, dança, dança desse autor e espero, em breve, poder folhear e adquirir outras mais, mas não em Viseu. Depois desta quase infrutífera incursão, perdi mesmo a esperança.
Nesta cidade assiste-se à falência de projectos culturais tão interessantes e paradigmáticos como a Livraria da Praça, espaço iluminado, verdadeiro oásis de cultura, de tertúlia e de incremento dos horizontes intelectuais que acabou por esmorecer. Fecham livrarias para dar lugar a sapatarias, bares e afins. Na Livraria da Praça, havia sempre alguém que aconselhava, que nos surpreendia e que já lera “aquele” livro, abrindo caminho para muitos mais.
A cidade desenvolveu-se imenso nas últimas décadas, em termos materiais, sem dúvida. Porém, a cultura é repetidamente votada a um plano secundário. Não se lê, não se vai ao Teatro (apenas uma diminuta minoria), não se sabe que há literatura no Japão. Mas há sempre tempo para desbravar (mais) uma nova catedral de consumo. What else?

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

What happens…after dark?


Acabei de ler uma obra absolutamente delirante, After Dark, do autor japonês Haruki Murakami (traduzida directamente do Japonês para Inglês).
A obra desenvolve-se num período temporal de 7 horas, pela madrugada fora, quando se constrói toda uma realidade paralela, plena de histórias que se entrecruzam e se confundem. Vamos acompanhando o pulsar do relógio, o seguimento das horas, dos minutos que, à medida que a narrativa avança, se tornam mais vorazes e somos literalmente devorados pela torrente avassaladora dos acontecimentos.
De facto, a madrugada é habitada por seres estranhos, por estórias surreais que só são possíveis e passíveis de se tornarem realidade nessas horas em que a maioria das pessoas dorme um sono apaziguador e isento de quaisquer problemáticas.
After Dark é uma narrativa una que, no entanto, é constituída por uma série de pequenos contos, alguns que evocam o realismo mágico: há uma bela adormecida da modernidade que não quer acordar; uma prostituta chinesa que é abusada por um cliente que leva uma vida dupla; um encontro (im)provável entre uma rapariga com ares de patinho feio e um músico de jazz que teme passar a fronteira entre a luz e a escuridão…tudo isto em 7 horas que consumimos com sofreguidão.
Como pano de fundo, a fervilhante metrópole de Tóquio e os seus habitantes em trânsito, neste caso os seres da noite, das trevas. E as trevas escondem muitos enredos densos e sempre perturbadores.
Murakami desvenda os fios de que se entretece a escuridão, numa prosa envolta em poesia e em realismo. O resultado é mágico!

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