quinta-feira, maio 22, 2008

Chove chuva...


Não, não é por falta de tema que escrevo sobre a chuva. "Chover", verbo impessoal de sujeito basicamente indefinido, que se entranha em nós, espraiando-se um insuportável cinzento sobre a alma. Sou tão permeável a este fenómeno atmosférico que chega a roçar os limites do ridículo ou do cómico, das duas uma. Fico indescritivelmente impaciente, deprimida, viro e reviro os olhos e o pensamento e não encontro nada que me mova e me cative. Espero ansiosamente por alguns tímidos raios de sol que, em acto contínuo, me devolvam um sorriso. Chuva oblíqua de Pessoa ou simplesmente chuva. Entediante. Cinzenta. É bom ouvi-la, mas trocaria o prazer deste som aconchegante por uma chuva de raios de sol, quentes e que não cessassem nunca!
Como diria Jorge Ben, "chove, chuva/ chove sem parar/ pois eu vou fazer uma prece pra Deus Nosso Senhor/ prá chuva parar/ de molhar meu divino amor"...
Nem com preces lá vamos. Esta chuva veio mesmo para ficar...

2 comentários:

Dalaiama disse...

A fotografia é excelente! Gosto quando alguém consegue dar consistência ao vidro, é invisível mas sempre matérico. O nosso olhar saltita de gota em gota, parece que elas estão ali para serem pontos fixos orientadores da nossa reflexão. Juntamente com os olhos, o pensamento move-se. De resto, não creio sequer ser possível pensar sem que os olhos se desloquem. Visão e inteligência aproximam-se. É por isso que há quem limpe a mente de pensamentos e emoções paralisando o olhar. Entra-se numa espécie de tranquilidade levitante.
:-)
Sabes, numa noite recente destas chuvosas saí para pintar. Chovia, mas eu tinha que aproveitar a oportunidade. Não foi confortável, mas enfim, lá valeu a pena.
Abraço ;-)

Comentarista Abalizado disse...

Chuvas que vêm para ficar, ou que vem para ficar, de acordo com as regras de ortografia da língua portuguesa, que logo entrarão em vigor, são deliciosas se o ócio é permitido.

Amo a chuva! Dias chuvosos são uma verdadeira delícia quando não tenho absolutamente nada para fazer.

Porém, deveria haver uma regra no céu que dissesse que chuvas só podem cair quando ninguém é obrigado a se molhar.

Não há coisa mais irritante do que ter um compromisso urgente e saber que a água cairá implacável sobre nós.

Em dias úteis, que o Sol brilhe constantemente.

Follow my blog with Bloglovin