segunda-feira, dezembro 22, 2008

Multi-funções


Será que vou chegar a tempo? Já não falta tudo, já não falta tudo. Esta crise estende os seus tentáculos demolidores sem dó nem piedade. É uma forma poética de lidar com a dura realidade dos números que é sempre enfadonha. Chegou um sms. Quem será? Ainda é cedo para ser o Sr. K., a debitar tarefas urgentíssimas, mais urgentes do que o próprio acto de respirar. É indiferente se aparecer completamente extenuada, em dolorosa antecipação do stress quotidiano que se adivinha. Ai, o Euromilhões. E eu nem sou nada excêntrica, bastava-me um quíntuplo apenas daquele número extenso. Estou a adorar aquele livro. Os autores africanos falam-nos ao coração, através das suas palavras melodiosas ecoa uma música ancestral, um mistério insondável que se perpetua pelo Tempo e nos afaga com ternura. Esqueci-me de ir levantar as botas que estavam a compor pela milésima vez. Lembrete. Deve ser da idade. Qualquer dia coloco um lembrete para não me esquecer de colocar lembretes. Não vá o diabo tecê-las! Um mafarrico qualquer. Outro sms? Estou quase a acabar o ritual da pintura matinal, como se pertencesse a uma tribo qualquer e tivesse de participar numa qualquer dança em que seria um completo desastre e a manifesta vergonha da tribo. Acabaria expulsa. Tantas coisas para digerir logo de manhã. Um beijo fugidio. Este frio inviabiliza qualquer tipo de raciocínio lógico. Apresso o passo e lembro-me do lembrete que ainda não coloquei. Aproveito e faço as compras para a noite. Não consigo lidar com os imponderáveis. Serei finlandesa e não o saberei? Não, a cor dos olhos não engana ninguém. Pertenço a uma estranha tribo, de facto. Desculpe, Sr. K. não consegui chegar mais cedo. Este frio, sabe? Sim, o fax. Não sei se teve oportunidade de verificar, mas já o enviei ontem. (Ah, sabe bem usar a luva branca de vez em quando!) E a crise, tema inevitável de conversa que veio substituir o do tempo. Pelo menos agora todos parecemos grandes intelectuais ou potenciais Nobel da Economia a dissertar sobre fenómenos cuja amplitude nem sequer percebemos, mas enfim, vale pelo diálogo, ainda que de surdos. Mais um sms, desta vez sou eu que envio, para me redimir de um beijo fugidio que se queria eterno.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Resultado do amigo secreto/oculto virtual



A minha amiga secreta(PT)/oculta (BR) é a Sibelle:)

Conheçam aqui o blog da Sibelle: Estória Estranha e entranhem-se neste blog!
Escolhi como presente um chocolate, ideal para qualquer época do ano. Virtual ou não, é sempre delicioso!...E ideal para uma mulher...

terça-feira, dezembro 09, 2008

Amigo secreto/oculto virtual

Participe nesta iniciativa!

gestualizando


Às vezes, foge-me a mão para a verdade e começo a divagar. Faço gestos (aparentemente incompreensíveis ao olhar do observador mais incauto) e dou ao dedo. Esta experiência de aprender Língua Gestual Portuguesa (já quase há 3 anos) está a ser tão marcante que creio bem ter-se já entranhado em mim, com a mesma naturalidade com que sonho em Alemão. E já sonhei em Gestual!Segundo dizem, a partir do momento em que sonhamos numa língua, é indício de que esta já nos habita. Como é gratificante poder dar voz às mãos e, com elas, criar laços e pontes e comunicar! Tal como o mundo não é a preto e branco, mas composto de tonalidades múltiplas, há também inúmeras e fascinantes formas de chegar ao outro e de dar as mãos!...

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Onde há fumo...


Deixava os cabelos repousar, serenos, nas costas e balançava a cadeira, para trás e para a frente, para trás e para a frente, num movimento que tinha tanto de monótono, como de reconfortante, numa doce languidez. Depois de ter folheado (demasiados) livros, decidira-se, por fim, por um de título apelativo, que se adequava (aparentemente) aos matizes da sua própria vida. Parecia que os livros saltavam das estantes e ganhavam vida, dançando freneticamente perante o seu olhar curioso, e reclamando atenção e quiçá um pouco de ternura. Dominara o caos interior e resolvera pôr cobro a uma indecisão crónica. Não poderia jamais ler todos os livros do mundo. A escolha recaía agora sobre este e ponto final.
Parágrafo.
Sempre se riu das pessoas que sentenciavam com altivez o carácter definitivo das coisas, afirmando: "ponto final, parágrafo", como se os enredos da existência pudessem ser assim tão simples e sintéticos, passíveis de serem definidos pelas nossas imposições ou caprichos. Talvez por olhar para o mundo através da fina lente da ironia, nunca se levou muito a sério, tendo por certas apenas as incertezas. E os afectos.
A lenha crepitava e libertava uma magia indizível, uma melodia única que ecoava para além dos sonhos e se prolongavam indefinidamente...
Como um navio que navegava à volta do mundo, por oceanos intrépidos e agitados, por mares de tormentas infinitas, mas que acabava sempre por chegar a bom porto, assim se sentia ela, ao observar, como que hipnotizada, o lento esmorecer da lenha que se deixava consumir pelo fogo, numa perigosa dança de sedução.
Naqueles instantes de pura magia, de insondável mistério, o tempo parecia uma dimensão longínqua, a realidade parara, sentindo apenas o aconchego dos caracteres que, aos poucos, formavam palavras, frases, parágrafos, em estonteantes linhas de sentido que a deixavam sem fôlego. Atracara em bom porto.
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