domingo, março 16, 2008

Farmácia com “ph”

Não raras vezes, certos iluminados que julgam saber tudo sobre a língua portuguesa e os seus meandros e que, mais grave ainda, se acham no direito de poder modificar a configuração da própria língua anunciam, alto e a bom som, que a partir de determinado momento se vai começar a escrever de uma forma totalmente diversa e nós, pobres mortais, não teremos outra alternativa que não aceitar essas mudanças com a mais pura e doce resignação.
O lançamento do controverso Dicionário da Língua Portuguesa da Academia de Ciências de Lisboa marcou a génese de toda a polémica.
Jamais poderei aceitar que: 1. alguém decida como devo ou não escrever e que 2. altere de forma radical e absoluta todo o esquema de ortografia que configura a minha escrita.
Se, por exemplo, estiver a ler uma obra de Jorge Amado, já sei de antemão que irei encontrar uma ortografia totalmente diversa, mas tal fa(c)to não me causa qualquer estranheza. É perfeitamente natural tratando-se de um autor de nacionalidade brasileira, fazendo todo o sentido nesse contexto linguístico.
Mesmo que o Acordo Ortográfico seja assinado e passe a produzir efeitos, não porei em prática quaisquer alterações ortográficas e, assim sendo, não me irei render aos “fatos”, nem aos “atos” ou muito menos às “ações”.
A língua é um corpo vivo, dinâmico e plural que pode admitir no seu interior toda uma diversidade de formulações e de estilos. Mal anda o mundo quando os governos tentam impor uma uniformização da ortografia e da língua…
Chamem-me “Velho do Restelo”, mas dá-me muito prazer escrever baptismo com “p” antes do “t”!
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