domingo, abril 06, 2008

Hino ao saudosismo ou como sobreviver a MacGyver


Não consigo disfarçar um sorriso de satisfação quando ouço aquelas músicas que preencheram a minha adolescência e acho que daria um pulo de contentamento se, de repente, anunciassem na RTP1 que o MacGyver iria voltar aos ecrãs. A figura daquele herói dos anos 80 habitará para sempre o nosso imaginário pela destreza com que derrubava todos os obstáculos, fazendo uso do seu milagroso canivete suíço. MacGyver era um hino ao pragmatismo, um homem de carne e osso, sem quaisquer super poderes que nos fazem bocejar pela improbabilidade, que punha literalmente a mão na massa e que (pasme-se!) até despertava em nós o interesse pelo admirável (e não menos penoso) mundo novo da Físico-Química! Era uma verdadeira emoção acompanhar aquelas aventuras electrizantes e ainda hoje consigo trautear a melodia do genérico!
E se fosse possível (re)viver um desses dias remotos dos idos de 90? Como se de uma viagem no tempo se tratasse? Numa espécie de “Adeus Lenine” à portuguesa?
Gostaria de voltar a sentir aquele cheiro a Verão e a terra molhada que hoje já se perdeu por completo (chama-se a isto velhice, achar que já não há estações do ano decentes!); de ficar na rua até às tantas; de chegar a casa com os joelhos esmurrados; de ficar a falar ao telefone com as amigas horas a fio enquanto a minha mãe resmungava num doce pano de fundo; daqueles lanches intermináveis que eram a recompensa por longas tarde de estudo; de comer panikes no bar do liceu ou de ir ao Girassol comprar croissants de chocolate; de debater exaustivamente os porquês das desilusões de amor e de chorar baba e ranho como se não houvesse amanhã; de ir de autocarro para o Day After e de regressar mal o dia despontasse…
O tempo passa, amadurecemos, traçamos novos trilhos, a vida adquire novos contornos e já só falamos com os amigos de outrora através do Messenger ou por sms. Já não há lanches nem conversas intermináveis.
A distância pode instalar-se, mas as recordações e o poder dos afectos permanecerá agarrado à pele, como um sinal de nascença. E essa é a beleza de qualquer regresso ao passado, dessa viagem que termina sempre em “happy end”, num sorriso de indisfarçável satisfação.
E por que diabo me lembrei agora do MacGyver? Provavelmente porque hoje é domingo, dia muito propenso à terna doçura do saudosismo que se entranha em nós e teima em não querer sair.
Como é que o MacGyver resolveria isto?;)

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