domingo, abril 13, 2008

Naifa ou a beleza das coisas quotidianas

Monotone
Antes de saíres para o trabalho, arrumas à pressa o dia anterior

Para debaixo da cama.
Antes de saíres para o trabalho
Guardas o coração ainda adormecido bem dentro do teu corpo

E esqueces essa canção que já não passa na rádio
Mas que vive secretamente dentro de ti.
Fechas a porta à chave com duas voltas e sais.

Parada junto à passadeira, protegida num gesto ledo
Fixas o olhar na sombra dos carros que passam.
Esperas pelo sábado,
Pelo feriado e as suas pontes,
Pelas férias para ouvires as tuas canções.
Sentes-te longe, silenciosa de luz.

E esqueces essa canção que já não passa na rádio
Mas que vive secretamente dentro de ti.
Fechas a porta à chave com duas voltas e sais.

O concerto de Naifa ontem no Teatro Acert de Tondela foi absolutamente memorável, não só pelo ambiente de profunda partilha que se estabeleceu e pela voz avassaladora da vocalista, a par da qualidade de todos os músicos em palco, mas sobretudo, pelo poder electrizante das palavras e das poesias que se entretecem e se alimentam das coisas quotidianas: a rotina, os (des)encontros, as memórias, a dor da ausência e da perda, a tragédia do quotidiano, percorridas por uma ironia quase corrosiva e não menos cómica. Aqui fica uma música "ideal" para uma segunda-feira que se avizinha!...

Faltam 2 dias...


...para a abertura da FNAC Viseu, facto tanto mais relevante numa cidade em que (quase todos) os projectos de interesse cultural estão fadados a desaparecer. Espero que a FNAC seja uma excepção à regra e que, através da sua dinâmica agenda cultural, bem como da óbvia oferta de produtos culturais mais abrangentes e que pura e simplesmente não se encontravam em Viseu até à data, contribua para um despertar das mentes, insuflando-as de uma nova energia e de uma predisposição para as lides culturais.
É certo que estes espaços são também alvo de muitas críticas por se assemelharem a "centros comerciais culturais", perdendo-se, de certa forma, aquela ambiência intimista e de profunda cumplicidade entre o leitor e os livros que só se encontra nas boas livrarias.
Creio, no entanto, que a abertura deste espaço, sobretudo em Viseu, uma cidade que padece ainda de inquestionáveis lacunas culturais, só poderá ser sinónimo de evolução e quiçá crie salutares hábitos de consumo, de pesquisa, de interesse e de curiosidade intelectual pelos fenómenos culturais, decisivos para o progresso das mentalidades mais empoeiradas.
Como diria a outra do Rock in Rio, "eu vou"! E para tal basta tão somente descer a rua...
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