segunda-feira, julho 07, 2008

Spread the word


Mais um grande passo no sentido da afirmação e consolidação da Língua Gestual. Na semana passada, foi apresentado o interessante projecto "Spread the Sign" na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, e que resultou do envolvimento de seis equipas europeias com vista à elaboração de um dicionário multilingue de Língua Gestual, que reúne mais de 2.000 palavras, afirmando-se como um instrumento de trabalho poderosíssimo para todos aqueles que se movem no universo da Língua Gestual.
A pouco e pouco, vai-se reforçando a crença de que os muros com que as pessoas com deficiências auditivas se defrontam no dia-a-dia terão se esbater forçosamente e que a comunicação irá ganhando contornos mais definidos e eficazes.
Esta é, sem dúvida, uma excelente notícia que merece o nosso vivo aplauso!

Aurea Mediocritas


Há qualquer coisa de mágico no entardecer de Verão, nesse manto que se abate, lânguido e lento, sobre nós e que nos devolve uma sensação de alegria primordial, de uma doce inocência e, sobretudo, de quase imortalidade.
O olhar vai perseguindo o cair do sol que lentamente sai de cena, pé ante pé, e ao mesmo tempo que assistimos a esse verdadeiro milagre, sentimos o cheiro típico do Verão que, por vezes, nos arrebata e nos transporta a tempos longínquos, em que ficávamos a brincar na rua até tarde e em que acreditávamos ser brindados pelo sopro da eternidade.
Hoje vêem-se cada vez menos crianças nas ruas. É esta geração playstation que jamais sentirá os cheiros e os sabores estivais e que permanece enclausurada numa muralha virtual, em mundos assépticos e paralelos.
O eminente poeta grego Horácio, numa das suas odes, evocou a "aurea mediocritas", que consiste na capacidade de nos comprazermos nas pequenas coisas do dia-a-dia e de nos deixarmos invadir pela poesia e não pela ganância desmesurada ou pelo apego aos bens materiais.
Não seria muito diferente do humor de Seinfeld que se baseava, precisamente, naqueles episódios risíveis e universais do quotidiano, fazendo deles a sua matéria-prima cómica. O humor é uma das principais fontes de felicidade, senão mesmo a maior...
São estes fugazes instantes quotidianos que preenchem a noção de felicidade. Não são as casas, nem os carros topos de gama, nem os telemóveis de última geração que só lhes falta aspirar a sala empoeirada.
É esta etérea contemplação de um entardecer de Verão, cuja poesia se derrama sobre a nossa pele e que, pasme-se!, é grátis!
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