domingo, dezembro 27, 2009

Das palavras aos actos




É um lugar-comum: de pouco importa proclamar aos sete ventos um acto de generosidade, o que realmente conta é concretizá-lo, sem esperar qualquer tipo de idolatria.
No entanto, este Natal teve um sabor diferente, porque se fez de profunda e sentida solidariedade, contrariando o espírito materialista que reina nesta época do ano e no qual todos caímos, inevitavelmente.
A minha amiga Ana e a família todos os anos, por altura do Natal, elegem uma ou mais famílias carenciadas e, de alma e coração, mobilizam-se para lhes proporcionarem um Natal mais condigno, mais humano e mais recheado de recursos que para nós são já dados adquiridos.
No ano passado, também dei o meu contributo e este ano embarquei de novo nesta viagem de solidariedade, altamente gratificante, que nos devolve a noção, por vezes, esquiva de humanidade e do espírito de inter-ajuda.
Como o poder do passa-palavra não deve ser, de todo, subestimado, este ano mais amigos resolveram contribuir com toda a generosidade e entusiasmo (ingrediente crucial) e conseguimos, assim, reunir do somatório dos pequenos grandes contributos, uma ajuda tremenda a 2 famílias altamente carenciadas, cujos enredos de vida são sempre conturbados, o que agrava ainda mais os seus quotidianos e as suas batalhas diárias.
No dia 24 de Dezembro, fomos distribuir os nossos contributos que incluíam: alimentos, roupa, brinquedos e material escolar pelas famílias escolhidas, constituindo uma experiência demasiado intensa para ser passível de ser traduzida por palavras. Adjectivos como: "reconfortante", "gratificante", "avassalador", "comovente" transmitem uma leve e ténue noção da verdadeira amálgama de sentimentos que me invadiu nesse dia, como uma torrente incontrolável.
Foi bom sair da redoma de conforto e poder contribuir para estes sorrisos, absolutamente mágicos e desarmantes!...

sexta-feira, outubro 02, 2009

passos mudos


Ouvia-se apenas o eco dos seus passos frenéticos, a desbravar as ruas, com sofreguidão, como se navegasse num mar revolto, tumultuoso. E a tempestade adensava-se cada vez mais. Pensamentos contraditórios, risíveis, desesperados até, cruzavam-se numa mente já exausta de tanto pensar. O pensamento, o maior dos fardos. Mas não deixava de embarcar nesta corrida alucinada, em busca de uma réstia de verdade. Os passos sempre frenéticos, sempre estridentes. Tick, tack, tick, tack, o tempo corria-lhe nos pés e a urgência do encontro impunha que essa viagem não desejada se realizasse, no matter what...Pensava na fragilidade de todas as coisas. Como tudo podia desmoronar de um momento para o outro, um frágil castelo de cartas a esvoaçar perante um ténue sopro...E o pensamento sempre a pairar sobre o caminho, essa maldição inevitável...Sorria, apesar do sofrimento. Acreditava, apesar do desespero. Virou a esquina, o sol inundou-lhe o rosto aturdido, a chuva cessara, da tempestade nada restara senão a magia de duas mãos que se entrelaçam...

terça-feira, agosto 11, 2009

Conduzo, logo existo


Já é suficientemente embaraçoso ter já passado a temível barreira dos 30 (quando ainda nos sentimos completamente teenagers), mas mais embaraçoso ainda será não ter carta de condução, sendo que esta é, nos tempos que correm, um requisito tão vital como respirar ou dominar o Inglês e as novas tecnologias.
A minha primeira tentativa de entrada no mundo dos cidadão automobilizados deu-se em mil nove e noventa e oito (há 11 anos, pasme-se!). Curiosamente, adorava as aulas de condução e até levava amigas (vulgo, mártires) para assistirem à demonstração da minha perícia automobilística, completamente convicta de que iria superar essa prova, sem qualquer questão de maior.
No entanto, o exame de condução afigurou-se um desastre, fruto do meu estado de nervos, da falta de tacto do examinador e acabei mesmo por chumbar. Como nunca lidei propriamente bem com o falhanço, decidi que o mundo das 4 rodas não era para mim e que iria investir em bons sapatos que me levariam aos 4 cantos do mundo.
(A conta de conserto de calçado ao fim do mês é colossal, admito!)
Ao contar mil vezes esta histórias a todos aqueles que, incrédulos perante o meu carácter autónomo, acabava sempre por dar exemplos de figuras públicas (inevitavelmente intelectuais) que também não tinham carta de condução, o que, de certa forma, me conferia uma certa aura de excentricidade.
Nunca fiz depender a minha autonomia de 4 pneus, é um facto! Sempre calcorrei todos os trilhos e mais alguns sem me sentir num estado de menoridade em relação a qualquer outro cidadão "encartado".
Volvidos 11 anos, decidi superar este meu trauma e este meu indisfarçável falhanço de outros tempos (mas não menos embaraçoso) e agora estou a tirar a carta. Como ainda estou na fase da teoria, tudo me parece demasiado improvável e até longínquo. Sei que vou estremecer quando meter primeira, mas espero conseguir vencer este fantasma e esta inquestionável limitação.
Se a coisa correr mal outra vez, terei de me concentrar, com todo o afinco, na próxima colecção de calçado Outono/Inverno!...E esquecer o alcatrão.

quinta-feira, junho 11, 2009

O sabor da indiferença


Nos últimos tempos, tenho andado tão embrenhada nas minhas trapilhices que, infelizmente, me tenho afastado, não de forma voluntária ou premeditada, deste pechisbeque, onde, de quando em vez, deposito alguns pensamentos e reflexões que gosto de partilhar.
Desta vez, foram as eleições europeias de domingo último que me trouxeram de volta a esta plataforma virtual, por acreditar que há algumas realidades importantes (diria mesmo vitais, sem qualquer ironia do termo escolhido!) que importa discutir.
Não deixa de ser hilariante que em dia de eleições, todos os partidos, ou quase todos, clamem vitória e nunca assumam derrotas, por vezes inequívocas e que saltam à vista de todos. Discursos inflamados e galvanizadores, plateias amestradas que batem palminhas em sincronia e que proferem ferozes gritos de vitória. Independentemente dos processos eleitorais, as manifestações de júbilo e de auto-promoção são, inevitavelmente, sempre as mesmas, o que leva a um enorme cansaço por parte dos cidadãos que - ainda - acreditam que o seu voto, o seu manifesto poderão fazer a diferença.

Um pouco por toda a Europa, e Portugal não foi excepção, a grande vitoriosa foi mesmo a abstenção e o completo divórcio entre os cidadãos e o Parlamento Europeu ou, em última instância, a Europa, essa entidade ainda demasiado longínqua e etérea que, lamentavelmente,ainda não mobiliza as grandes massas de eleitores.
É certo que em tempos de crise económica, os povos se centram mais no seu próprio umbigo e nas questões internas, afastando-se de uma lógica mais global, demasiado distante para parecer sequer consistente.
No entanto, os índices de abstenção tendem irremediavelmente a aumentar, cabendo a culpa unica e exclusivamente às classes governantes que orientam o debate para questiúnculas menores e episódios que poderiam ser cómicos se não fossem tão preocupantes, utilizando o poder, sempre inebriante, para satisfazer interesses pessoais e desvirtuando por completo a essência da política, tal como Aristóteles a entendia.
Nestas eleições, em concreto, assistiu-se à vitória da abstenção e ao reforço da oposição, penalizando seriamente os dois partidos que habitualmente alternam entre si as cadeiras do poder. Com esta consolidação da oposição, os eleitores que, tal como eu, decidiram votar, quiseram expressar uma profunda insatisfação com o estado de coisas actual e com a quase indiferenciação entre um ou outro partido que poderão assumir os destinos do país, na certeza de que o poder acaba sempre por corromper os espíritos moralmente mais elevados.
Haverá excepções, certamente, que teimam, contudo, em não se vislumbrar...

"O objecto principal da política é criar a amizade entre membros da cidade." Aristóteles

quarta-feira, abril 29, 2009

domingo, abril 19, 2009

A viagem do elefante


O protagonista chama-se Salomão e vai embarcar numa longa e, certamente, sinuosa viagem, repleta de peripécias, entre Lisboa e Viena.
Nela se desenha o retrato de um Portugal seiscentista que em nada diverge do actual, perpassado pela fina lupa da ironia e do humor corrosivo de José Saramago.
O monarca D. João III ofereceu Salomão como presente ao arquiduque Maximiliano de Áustria, decisão que marcará indelevelmente o destino deste paquiderme que parecia votado a ser objecto exótico, alvo dos olhares curiosos da corte real e do povo de Lisboa, embrenhado em sujidade e melancolia.
Na senda de Salomão, o elefante, e de Subhro, o seu tratador indiano e inseparável compagnon de route, percorremos os trilhos da complexa identidade lusa, da aventura europeia, e do abismo civilizacional que sempre nos distanciou dessa mesma Europa desenvolvida.
Ainda agora embarquei nesta viagem e mal posso esperar por vislumbrar o destino final.
Deixo aqui um pedaço delicioso da prosa de Saramago:

Este homem não pode ir para viena em semelhante figura, coberto de andrajos, ordeno que lhe façam dois fatos, um para o trabalho, para quando tiver que andar em cima do elefante, e outro de representação social para não fazer má figura na corte austríaca, sem luxo, mas digno do país que o manda lá, Assim se fará, meu senhor, E, a propósito, como se chama ele. Despachou-se um pajem a sabê-lo, e a resposta, transmitida pelo secretário, deu mais ou menos o seguinte, Subhro. Subro, repetiu o rei, que diabo de nome é esse, Com agá, meu Senhor, pelo menos foi o que ele disse, aclarou o secretário, Devíamos ter-lhe chamado Joaquim quando chegou a Portugal, resmungou o rei.

sexta-feira, abril 10, 2009

Une rencontre


...com Milan Kundera. Já foi (finalmente!) publicada a versão francesa da nova obra de Milan Kundera, Une rencontre, que reúne ensaios dispersos deste autor checo. Milan Kundera é um escritor maior da cultura ocidental, cujas obras arrebatadores têm o poder imenso de marcar a existência de quem as lê. Procuro freneticamente, nos escaparates das livrarias,novos lançamentos deste autor que para mim será sempre absolutamente icónico. Mergulhando na poesia da sua escrita, tomamos consciência das verdades que iluminam a essência humana. Para quando o Nobel?

A ASA ainda não anunciou a data de publicação da versão portuguesa.

sábado, março 21, 2009

Pelo direito à diferença


O realizador americano Gus Van Sant já nos habituara a filmes de grande fôlego, como por exemplo "Elephant", "Paranoid Park" ou "Good Will Hunting", pontuados por preocupações manifestamente sociais e políticas que revolvem as entranhas e que, na senda do melhor cinema de autor, levam o público a colocar uma série de questões pertinentes.
O filme "Milk" não é, pois, excepção, neste contexto da obra do realizador. Construído como um documentário, e, consequentemente, como uma peça importante para o entendimento da história da luta pelos direitos civis por parte da comunidade homossexual norte-americana, este filme acompanha o percurso de Harvey Milk, o primeiro homossexual a ser eleito para um cargo público nos E.U.A.
A luta incansável de Milk desenrolou-se, em primeiro lugar, num bairro de S. Francisco para logo se alastrar a todo o país que começou a despertar para a urgência de um tratamento igualitário em relação à comunidade homossexual, fortemente ostracizada por uma sociedade puritana e conservadora.
É interessante verificar que, em 1978 (o ano em que eu nasci), a luta acérrima pelos direitos civis por parte das minorias já fervilhava nos Estados Unidos, questão que só agora se começa a discutir com consistência em Portugal!...
Harvey Milk é o símbolo da determinação férrea de um cidadão que se via, acima de tudo, como um activista (e não como um político), reclamando somente o direito a um tratamento igualitário, no plano dos direitos civis. O seu destino foi trágico (como, infelizmente, o de todos os homens à frente do seu tempo), mas o seu contributo tremendamente importante lançou as bases para a construção de uma sociedade mais aberta, mais plural que abraça todos os seus cidadãos, por igual, independentemente das tendências sexuais de cada um.
Uma nota para a representação soberba de Sean Penn que encontrou o registo certo para esta interpretação, sem nunca incorrer nas imagens esteriotipadas que se associam à comunidade gay. O Óscar para Melhor Actor foi, sem sombra de dúvida, merecido. Sean Penn não pára de supreender, demonstrando uma flexibilidade tremenda ao encarnar personagens completamente díspares, como, por exemplo, nos filmes "I am Sam", "Mystic River" ou "Dead Men Walking". Dele só se espera a perfeição, plenamente conseguida neste marcante Harvey Milk.

domingo, março 08, 2009

Nostalgia

Não resisti e comprei hoje estas All Star lindíssimas que são um autêntico regresso ao passado! Aquelas que tinha nos meus tempos de "teenager" eram azul cian. O tempo passa, mas a obsessão com a cor mantém-se! Mais do que o carácter cícliclo da moda, o doce sabor da nostalgia que, a cada passo, faz esboçar um sorriso inevitável...

domingo, fevereiro 22, 2009

outros carnavais...


E hoje é dia de Óscares! Vivo sempre este dia, ou por outra, esta madrugada com muita intensidade, pois o espectáculo da atribuição dos Óscares é invariavelmente grandioso e, sobretudo, inesperado.
Na época pré-óscares surgem quase sempre imensos filmes de qualidade e a escolha torna-se particularmente árdua.
Daqueles filmes que este ano estão na corrida, ainda "só" vi o fenomenal "Slumdog Millionaire", realizado pelo britânico Danny Boyle que realizou, por exemplo, o icónico "Trainspotting" ou "A Praia".
"Slumdog Millionaire" enquadra-se muito naquele tipo de filme guiado por preocupações sociais e que denuncia com eloquência e poesia o rumo alucinado que o mundo por vezes toma. Filmado em Bombaim (com uma fotografia absolutamente notável), este filme vai ao âmago da dura realidade social indiana, dominada pelas gritantes discrepâncias entre os ricos e os desesperadamente pobres, os chamados "slumdogs" que aprendem desde crianças a (sobre)viver e a encontrar as mais diversas defesas para fazer face a uma realidade muito cruel e pouco poética.
No entanto, neste submundo de pobreza extrema e de miséria total, há ainda lugar para a criação de elos inabaláveis entre os seres humanos e para a poesia que só o Amor genuíno liberta.
Um concurso que se tornou um ícone no mundo globalizado - "Quem quer ser milionário" - num país dual como a Índia adquire uma importância tremenda. Ele pode ser o sinónimo de libertação e de passaporte para uma vida materialmente estável, com todas as condições de que dispomos no Ocidente e que tomamos como dado adquirido, sem sequer nos lembrarmos que há pontos desta aldeia global em que a escassez é absoluta e o desespero imenso.
No filme, joga-se muito com o Tempo que avança e recua permanentemente e, no meio destes avanços e recuos, vamos assistindo ao concurso e à forma genial como um "slumdog", proveninente dos bairros mais miseráveis de Bombaim (como as favelas), vai respondendo às perguntas que lhe são colocadas.
Porém, as respostas, ainda que certeiras, escondem sempre laivos de tragédia e esse permanente levantar do véu é verdadeiramente genial neste filme de Danny Boyle. As respostas são alcançadas à custa de um sofrimento inimaginável e não pelos trilhos convencionais da aprendizagem. Porque neste mundo de pobreza atroz, a realidade é demasiado penosa e as suas implicações devastadoras.
Uma viagem comovente ao coração da Índia e da essência humana...
Veja aqui o trailer:

domingo, fevereiro 15, 2009

dar voz às mãos


Por vezes, sabe bem esquecer as palavras mais negras, o pessimismo que nos cerca como uma sentença inescapável, e simplesmente experimentar algo novo, trilhar um percurso desconhecido até então. Nunca pensei que as minhas mãos conseguissem fazer outra coisa que não servir de instrumento do intelecto. De há duas semanas a esta parte, embarquei numa aliciante aventura: criar (este verbo soa algo pretensioso) colares de trapilho, para esvaziar a mente, para viajar através das mãos, rumo a outras paragens, onde há cor, alegria, flores a perder de vista e onde não há espaço para pensamentos negros e destrutivos, dominados pela crise e pelas profecias da desgraça. Como o tempo não é elástico, com muita pena minha, tenho andado afastada deste Pechisbeque, ainda que as palavras continuem a querer soltar-se, mas nesta árdua batalha, as mão têm levado a melhor...Fica aqui o link das minhas "trapilhices" e destas invenções que, embora imperfeitas e rudimentares, têm enchido as minhas noites de sol!...

domingo, janeiro 25, 2009

Pelos mares da lusofonia


O concerto de Tito Paris, acompanhado dos seus soberbos músicos, no Teatro Viriato, foi absolutamente memorável! Um verdadeiro marco de uma noite plena de música que contrastava, de modo flagrante, com uma noite chuvosa e gélida, num fim-de-semana de todas as intempéries. Mas como reza a sabedoria popular: "depois da tempestade vem a bonança" e esta fez-se sentir no palco do Teatro Viriato.
Logo que este artista único da lusofonia subiu ao palco e soltou a sua voz quente e terna, o público já estava completamente rendido. Por entre mornas e coladeras, embalados pelos ritmos quentes e aconchegantes de Cabo Verde, a música de Tito Paris fazia-nos pairar e voar, voar até espaços longínquos, habitados unicamente pela poesia e pela beleza da língua portuguesa. Este é o nosso grande Património comum, um motivo de indisfarçável orgulho que, como que por artes mágicas, une todos os falantes desta língua falada nos quatro cantos do mundo.
Nos inúmeros diálogos que estabelecia com o público, brindando-o com uma simpatia desarmante, Tito Paris ora falava em crioulo (para a considerável comunidade cabo-verdiana que se encontrava no concerto, expeditamente munida de bandeira nacional!), ora em Português, mas sempre marcado por uma doçura indescritível, criando um elo, basicamente, inabalável.
A ternura das palavras e da poesia atravessava os mares da lusofonia e acolhia-nos no seu regaço aconchegante. A música de Tito Paris leva-nos ao território dos sonhos falados na língua de Camões, de Pessoa, de Amado, de Agualusa, de Germano Almeida, de Pepetela, de Mia Couto e de tantos outros que nos revelam a beleza imensa das palavras que se pensam, se dizem e se metamorfoseiam, em Português!...
Página de Tito Paris no MySpace, disponível neste link.

sábado, janeiro 17, 2009

The 11th hour



Num ano em que a temática da recessão domina quase inevitavelmente todas as conversas, criando uma atmosfera de apreensão e extremo pessimismo, parece - ainda mais - urgente reflectir sobre o futuro do planeta Terra e sobre os danos, aparentemente irreparáveis, que o Homem lhe está a causar.
O documentário, produzido e narrado por Leonardo di Caprio, "The 11th hour", muito na senda do filme "An inconvenient truth" com o eterno presidenciável Al Gore, levanta questões pertinentes e urgentes em relação ao rumo catastrófico que o planeta está a seguir. O filme conta com a participação de inúmeros especialistas das mais diversasa áreas científicas que, com os seus relatos objectivos e incisivos, vão preenchendo um intrincado puzzle que se afigura de difícil solução.
É interessante constatar que é essa mesma economia, tão apregoada neste ano que começa, que é a principal causa da destruição maciça dos recursos naturais, num onda avassaladora que não conhece quaisquer limites. Mais curioso é ainda o facto de os especialistas afirmarem que, apesar de o planeta estar profundamente ferido, acabará sempre por encontrar forma de se regenerar. Em relação à perpetuação da espécie humana, as reservas já são bem maiores e não menos preocupantes...
No entanto, o documentário não se confina a um relato fatalista e negro do panorama ambiental da actualidade, apresentando inúmeras soluções, como por exemplo a construção de casas ecologicamente sustentáveis, em perfeito equilíbrio com a Natureza.
De facto, a grande ideia que ressalta de "The 11th hour" é a profunda necessidade de repôr um equilíbrio entre o Homem e a Natureza. Na volúpia alucinada e cega do lucro desmesurado e do progresso pelo progresso, o Homem esqueceu "a" variável mais importante desta complexa equação: a Natureza que acolheu a evolução da espécie humana e que cada vez mais é ferida no seu âmago. Até quando?
É urgente agir, de forma a que a súmula dos pequenos contributos individuais façam a diferença na construção de um futuro sustentável e ecologicamente são.
O site The 11th Hour Action dá imensas ideias! Agir é preciso!

Follow my blog with Bloglovin