quarta-feira, abril 29, 2009

domingo, abril 19, 2009

A viagem do elefante


O protagonista chama-se Salomão e vai embarcar numa longa e, certamente, sinuosa viagem, repleta de peripécias, entre Lisboa e Viena.
Nela se desenha o retrato de um Portugal seiscentista que em nada diverge do actual, perpassado pela fina lupa da ironia e do humor corrosivo de José Saramago.
O monarca D. João III ofereceu Salomão como presente ao arquiduque Maximiliano de Áustria, decisão que marcará indelevelmente o destino deste paquiderme que parecia votado a ser objecto exótico, alvo dos olhares curiosos da corte real e do povo de Lisboa, embrenhado em sujidade e melancolia.
Na senda de Salomão, o elefante, e de Subhro, o seu tratador indiano e inseparável compagnon de route, percorremos os trilhos da complexa identidade lusa, da aventura europeia, e do abismo civilizacional que sempre nos distanciou dessa mesma Europa desenvolvida.
Ainda agora embarquei nesta viagem e mal posso esperar por vislumbrar o destino final.
Deixo aqui um pedaço delicioso da prosa de Saramago:

Este homem não pode ir para viena em semelhante figura, coberto de andrajos, ordeno que lhe façam dois fatos, um para o trabalho, para quando tiver que andar em cima do elefante, e outro de representação social para não fazer má figura na corte austríaca, sem luxo, mas digno do país que o manda lá, Assim se fará, meu senhor, E, a propósito, como se chama ele. Despachou-se um pajem a sabê-lo, e a resposta, transmitida pelo secretário, deu mais ou menos o seguinte, Subhro. Subro, repetiu o rei, que diabo de nome é esse, Com agá, meu Senhor, pelo menos foi o que ele disse, aclarou o secretário, Devíamos ter-lhe chamado Joaquim quando chegou a Portugal, resmungou o rei.

sexta-feira, abril 10, 2009

Une rencontre


...com Milan Kundera. Já foi (finalmente!) publicada a versão francesa da nova obra de Milan Kundera, Une rencontre, que reúne ensaios dispersos deste autor checo. Milan Kundera é um escritor maior da cultura ocidental, cujas obras arrebatadores têm o poder imenso de marcar a existência de quem as lê. Procuro freneticamente, nos escaparates das livrarias,novos lançamentos deste autor que para mim será sempre absolutamente icónico. Mergulhando na poesia da sua escrita, tomamos consciência das verdades que iluminam a essência humana. Para quando o Nobel?

A ASA ainda não anunciou a data de publicação da versão portuguesa.
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