segunda-feira, outubro 11, 2010

nesse abraço


Nesse abraço cabe o mundo inteiro: o mundo dos sonhos que se entreteceram de esperança e desilusão, o mundo das memórias que se partilharam na doce loucura de que seria eterno, o mundo das ilusões que se fizeram de castelos altaneiros e que logo se converteram em pó. Há um momento, um breve, porém intenso, momento em que alguém faz "pause" e o tempo fica suspenso, etéreo, e toda a realidade parece acontecer somente ali e os olhos, incrédulos, fitam a impossibilidade de um passado que não se cumpriu, de promessas que não se concretizaram.

Nesse abraço cabe o mundo inteiro. E nessa redoma improvável cabe o passado e o presente, mas já sem lugar para o futuro. Esse abraço é a negação absoluta do futuro. Mais não será do que o selar de um pacto de afecto que se firmou ontem e que se confirmou hoje, num doce círculo que já nada anuncia, apenas revela. Não há amanhãs que cantam. Os amanhãs emudeceram, os trilhos que se calcorreiam serão sempre os mesmos. Não foi um abraço que fez mudar o destino. Os olhos fitam o passado e desvenda-se a magia inebriante de outrora. Os mesmos tiques, os mesmos gestos, tudo se mantém como sempre fora. E tantos caminhos de terra batida, pejados de rochas e de espinhos, se percorreram nesse tempo que pareceu ter durado não mais do que um suspiro.

Nesse abraço cabe o mundo inteiro. Soltam-se as mãos e as ilusões. Ficam as sombras de uma luz outrora radiante. Fica a certeza de um abraço onde cabe o mundo inteiro.

1 comentário:

Anónimo disse...

Ainda bem que voltou a escrever...

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