quinta-feira, maio 18, 2017

A Oriente, tudo de novo

Há algo de profundamente insondável em torno da China, esse destino improvável que utilizamos como hipérbole para fundamentar argumentos.

Nunca sequer imaginei que algum dia faria uma viagem à China. Tão longínqua. Tão enigmática. Tão repleta de contrastes e de diferenças impensáveis.

A primeira grande muralha será, sem dúvida, o idioma que se faz de uma árdua matemática de 10.000 caracteres que exprimem conceitos e ideias! Não há nada de vagamente semelhante na sonoridade das palavras que explodem como pipocas rebeldes. A China é mesmo um planeta distante, tão inimaginável quanto Marte.

O que mais me impressionou em Xangai foi a forma como convivem os contrastes. Imagens tão poderosas que ficarão para sempre cravadas na retina das minhas memórias. Arranha-céus que exibem o poderio de uma China hegemónica, blocos cinzentos e frios que se sucedem como peças de dominó, não raras vezes alheios à luz solar, jardins sumptuosos onde se foge do bulício da metrópole que não dorme, avenidas totalmente ocidentalizadas, verdadeiras odes ao capitalismo desenfreado, a par de bairros sujos, que cheiram a fritos e ao mais puro caos.

Se é esta a imagem premonitória do futuro, se é este o destino da civilização globalizada, subjugada sob um manto sufocante de poluição e de produção em cadeia, há algo que nos faz recuar e dar valor ao ainda equilibrado modo de vida nas cidades sem pretensões hiperbólicas.

Há no louco frenesim de Xangai, com 25 milhões de habitantes (na área metropolitana), uma magia indecifrável. Uma espécie de feitiço que nos tira por completo o sono e nos dá um murro no estômago das nossas ideias pré-concebidas. Para nos sentirmos estranhos e estrangeiros, é quanto basta. Mas mesmo no mais distante dos planetas podemos fazer amizades para a vida. E descobrir que, afinal de contas, não estamos assim tão distantes.










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