Boa noite e bons livros
















Tenho esta mania irritante de ler muitos livros ao mesmo tempo e de, no fundo, me ser cada vez mais difícil concentrar num só e lê-lo de fio a pavio.
Andava eu na Fnac de Coimbra (creio que já não tardará muito até que a Fnac chegue à cidade-berço de Viriato...), nas minhas deambulações habituais pela secção de Literatura, eis senão quando me deparei com um romance que, desde logo, me cativou pelo título - Alentejo Blue - sendo da autoria de uma escritora britânica com raízes no Bangladesh, Monica Ali (na foto).
Esta amálgama cultural é, à partida, extremamente cativante, despertando a curiosidade do leitor mais ávido e fervoroso.
Monica Ali foi considerada pela Granta uma das 20 escritoras mais promissoras do Reino Unido, após a publicação do seu primeiro romance Brick Lane.
No entanto, o que mais me atraíu neste romance (que comecei a ler ontem à noite) foi a questão da perspectiva. Como é que somos radiografados por um olhar externo? Tratando-se, sobretudo, de uma autora que vive no cruzamento de duas culturas: a britânica (e ainda com resquícios imperiais e colonizadores) e a cultura do Bangladesh, antiga colónia do Império Britânico.
Na entrevista que deu à revista Actual do Expresso deste sábado, Monica Ali afirma não pertencer a qualquer cultura vigente. Interessa-lhe escrever sobre uma plêiade de temas, não se cingindo ao rótulo redutor do "romance multicultural". Daí ter optado por escrever sobre o Alentejo - para a autora, a personagem principal do romance- . O Alentejo e, em última instância Portugal, é um lugar estranho, diferente, exótico, envolto num contexto sócio-cultural diverso.
Foi, de facto, uma escolha muito inteligente por parte da autora, pois só demonstra um saudável desejo de não ser previsível e de alargar os terrenos temáticos dos seus romances.
Do ponto de vista de um Português, parece muito empolgante ler sobre o nosso país através de um olhar embebido noutras culturas de origem.
Vou devorar este Alentejo pintado em tons de azul!...

Comentários

Diana disse…
Acredito que esta autora deve ter, na sua escrita, influência dos dois lados! Contudo, tal como dizes deve ser muito interessante ler sobre o nosso território, mas com uma intepretação de alguém de "fora". De certeza que ela "vê" pormenores que nos escapam e outros que achamos que é imperdoável ela esquecer de mencionar.
Acho que a magia está precisamente aqui... no reflectir, na crítica, na procura do saber mais!!!
Parabéns por mais um texto simples, compacto e fascinante!!!
Fiquei com vontade de ler ALI.

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