Dia Mundial do Livro

Li uma vez numa das geniais crónicas de Miguel Esteves Cardoso que uma das maiores vantagens da leitura era a possibilidade de poder mandar os outros à fava e de nos podermos enclausurar num mundo só nosso. Admito que seja uma posição algo extremista e não menos hilariante, mas também não posso de reconhecer um fundo de verdade nessas palavras, perpassadas por uma fina ironia.
Através do livro, esse instrumento mágico dotado de verdadeiros poderes sobrenaturais, passamos a habitar múltiplos cenários, a viver inúmeras vidas, egoisticamente desfasados da nossa realidade. Há livros que nos marcam para a vida. Ainda hoje me sinto a calcorrear as ruas da Praga de Kundera ou a percorrer as ruas de Salvador da Bahia magnificamente retratadas por Jorge Amado, um escritor que me leva sempre às lágrimas. E se fechar bem os olhos, sinto o vento a bater-me no rosto e acompanho a viagem de Fermina Daza e de Florentino Ariza no barco a vapor do Amor nos Tempos de Cólera que languidamente segue o seu rumo ao sabor das águas cálidas e tranquilas de lá para cá, de lá para cá até à eternidade...
Não acredito no fim do livro, como muitos vaticinam. Por mais tecnologias que coloquem ao nosso alcance, nada se compara ao cheiro do papel, à envolvência das páginas, ao contacto íntimo que criamos com o livro e que nos propicia momentos de evasão voluntária, em que literalmente mandamos o mundo...à fava!
E amanhã é Dia Mundial do Livro!
Através do livro, esse instrumento mágico dotado de verdadeiros poderes sobrenaturais, passamos a habitar múltiplos cenários, a viver inúmeras vidas, egoisticamente desfasados da nossa realidade. Há livros que nos marcam para a vida. Ainda hoje me sinto a calcorrear as ruas da Praga de Kundera ou a percorrer as ruas de Salvador da Bahia magnificamente retratadas por Jorge Amado, um escritor que me leva sempre às lágrimas. E se fechar bem os olhos, sinto o vento a bater-me no rosto e acompanho a viagem de Fermina Daza e de Florentino Ariza no barco a vapor do Amor nos Tempos de Cólera que languidamente segue o seu rumo ao sabor das águas cálidas e tranquilas de lá para cá, de lá para cá até à eternidade...
Não acredito no fim do livro, como muitos vaticinam. Por mais tecnologias que coloquem ao nosso alcance, nada se compara ao cheiro do papel, à envolvência das páginas, ao contacto íntimo que criamos com o livro e que nos propicia momentos de evasão voluntária, em que literalmente mandamos o mundo...à fava!
E amanhã é Dia Mundial do Livro!
Comentários
Quanto ao tal fim do livro, também não concebo, eu já tive a possibilidade de ler em formato digital livros que não os possuo de forma "física" e simplesmente não o fiz, porque pegar num livro, folheá-lo, sentir o cheiro, faz parte do "ritual" de leitura.
Só para terminar, também não sou grande adepto, das adaptações de livros ao cinema, no entanto estou muito expectante quanto ao filme de Fernando Meirelles, baseado nesse notável livro, "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago.
Neste momento, leio "Cemitério de Pianos" de José Luís Peixoto.
Há pouco encontrei num blog uma citação que me fez lembrar do seu post sobre «as tartarugas também voam». Se quiser pode dar lá um salto:
http://aindanaocomecamos.blogspot.com/2007/02/omisso-no-adio-omission-not-addition.html
Abraço cibernético :-)
Outro abraço cibernético,
Ana Cota